Lula diz que deve se reunir com Trump na primeira semana de março e que não tem 'assunto proibido' com os EUA

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na primeira semana de março e que não há "assunto proibido".

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— Tem que sentar à mesa, olhar no olho um do outro, ver o que nos interessa e trabalhar junto, estabelecer acordos. Não tem tema que eu não discuta, só a soberania do meu país, mas discutir a parceria de indústria, minerais críticos, aumento de exportação, tudo isso vamos discutir — disse Lula.

Lula dá uma entrevista na manhã desta quinta-feira ao portal UOL. Ele se reuniu na noite de quarta com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base em uma tentativa de ajustar a articulação política no ano eleitoral.

Minerais críticos

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras- raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de oferecer maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.

Procurado, o Itamaraty informou que não chegou nada oficial à Embaixada do Brasil em Washington até o momento. Mas a notícia foi confirmada pelo Departamento de Estado americano à emissora CNN e por integrantes do governo brasileiro.

Nesta quarta-feira, o Brasil participou de uma reunião nos EUA em que o tema principal eram minerais críticos. Os planos do governo americano foram apresentados pelo vice-presidente J.D. Vance. Não há uma posição do governo brasileiro sobre uma eventual adesão ao grupo. Um interlocutor com acesso às tratativas afirmou que, neste momento, o governo Lula ainda reúne elementos técnicos e políticos para avaliar o alcance do convite e suas implicações estratégicas.

Gaza

Lula disse ainda que afirmou a Trump que, se o Conselho de paz for direcionado a Gaza, ele tem interesse de participar, mas chamou de "estranha" a ausência de palestinos no colegiado.

— Se não tiver palestinos à mesa, não é uma comissão de paz — disse Lula.

Caso Master

Na mesma entrevista, Lula afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, disse a ele que sofria uma "perseguição" ao ser recebido no Palácio do Planalto em encontro fora da agenda, em dezembro de 2024.

Questionado, em entrevista ao Portal UOL, sobre o encontro que teve com o banqueiro fora da agenda, Lula disse já ter recebido outros empresários.

— Primeiro, eu já recebi o Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, e não tinha uma agenda comigo. E quando o Guido (Mantega, ex-ministro da Fazenda) veio com o André Vorcaro (sic) a Brasília e pediu para eu atender, eu chamei o Galípolo, o Rui Costa, da Bahia, que conhecia ele. Ele me contou que estava sofrendo uma perseguição, eu disse para ele que não haveria posição política, pró ou contra banco Master, o que haverá será uma posição técnica do Banco Central — disse Lula.