Lula disse ao Washington Post que uma relação cordial com Trump evita nova tarifação

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, que manter boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ajudar a evitar a imposição de novas tarifas ao Brasil. A declaração foi ao jornal americano "The Washington Post", divulgada neste domingo.

Na entrevista, Lula citou as divergências políticas entre os chefes de Estado em relação à guerra com Irã e intevenção na Venezuela, por exemplo. Mas que isso não interfere na relação pessoal com o presidente americano.

—Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina. Mas, minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito — disse Lula.

A entrevista foi publicada em inglês, e a Secretaria de Comunicação da Presidência não divulgou o material original da fala de Lula.

Contudo, no dia de Lula aos Estados Unidos, em 07 de maio, ele conversou com jornalistas sobre o encontro. Na ocasião, disse que presidentes eleitos democraticamente devem ser respeitados.

Na entrevista , Lula destacou que uma relação cordial com o chefe da Casa Branca é importante para a economia brasileira. Mas, deixou claro que o país não pode se curvar aos interesse dos Estados Unidos.

Segundo a reportagem, o posicionamento de Lula representa uma "mudança drástica" em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que fazia questão de manter um alinhamento mais ideológico e admiração declarada por Trump.

—Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso — afirnou o presidente Lula.

Ele defendeu que a América Latina seja tratada como parceira e pediu a retirada das sanções sobre Cuba. Lula aproveitou e citou a China, uma relação marcada por rivalidade geopolítica com os Estados Unidos:

—A China descobriu e entrou na América Latina. Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil. Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila.