Lula disse a aliados horas antes de derrota que não indicaria Pacheco em caso de rejeição a Messias para evitar ganho político de Alcolumbre
Horas antes de sofrer uma derrota histórica no Senado com a rejeição ao nome de Jorge Messias a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cogitou o cenário de revés em conversa com interlocutores. Lula passou a quarta-feira no Palácio da Alvorada, estava otimista com a vitória de Messias, mas considerava o cenário complexo e não descartava a chance de reprovação.
O presidente afirmou em conversas internas, ainda enquanto ocorria a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que diante de uma derrota, seria necessário avaliar os próximos passos, mas que não haveria hipótese de atender o desejo do Senado e indicar Rodrigo Pacheco no lugar do advogado-geral da União. De acordo com relato de pessoas próximas, Lula afirmou que "não daria a eles o que eles querem".
Na visão de interlocutores, depois da rejeição acachapante de Messias, que teve apenas 34 votos favoráveis, a possibilidade de Lula indicar Pacheco a uma vaga no STF está enterrada. Pacheco era nome favorito de Davi Alcolumbre (União-AP) para a vaga e atender ao desejo do presidente do Senado após o episódio de ontem, quando o governo viu clara ação de Alcolumbre para derrotar Messias, seria deslegitimar a prerrogativa do presidente da República de escolher os indicados a Corte e dar ganho político a Alcolumbre.
De acordo com auxiliares, o cenário não mudará o apoio de Lula a Pacheco ao governo de Minas Gerais. Recém filiado ao PSB, Pacheco fará palanque para Lula no estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país e considerado pêndulo eleitoral em eleições presidenciais.
Interlocutores que conversaram com Lula nas últimas horas avaliam que o presidente não tomará nenhuma decisão sobre novo nome de forma imediata nem agirá para desafiar Davi Alcolumbre. Nas palavras desses auxiliares, o presidente deixará a poeira baixar para decidir o que fazer.
Na noite de quarta-feira, logo após a derrota no plenário no Senado, Lula chamou Jorge Messias para um encontro no Palácio da Alvorada. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também foram ao encontro de Lula.
