Lula defende lei para impedir 'jogo do tigrinho' em pronunciamento na televisão: 'Cassino é proibido no país'

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste sábado a aprovação de uma lei para impedir o funcionamento de jogos de azar virtuais, como o chamado “tigrinho”, durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão. Ao abordar o tema, o petista argumentou que não faz sentido permitir esse tipo de plataforma no país enquanto cassinos seguem proibidos pela legislação brasileira.

— Os cassinos são proibidos no país. Não faz sentido que o tigrinho seja permitido. Vamos trabalhar no Congresso Nacional para colocar fim ao cassino virtual — afirmou.

As apostas esportivas e jogos online passaram a ter regras específicas no país após a aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, sancionada pelo próprio Lula em 2023, que regulamentou o funcionamento do setor e abriu caminho para a operação de empresas de apostas sob supervisão do governo federal.

No pronunciamento, o presidente citou a popularização de plataformas digitais de jogos e apostas como um fenômeno que vem preocupando o governo e afirmou que o tema deverá ser tratado pelo Congresso.

Fim da escala 6x1

Na mesma fala, Lula também defendeu o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que trabalhadores atuam seis dias consecutivos e têm apenas um dia de descanso. O presidente argumentou que a mudança poderia contribuir para melhorar as condições de vida de trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo mulheres, que muitas vezes acumulam jornada profissional e responsabilidades domésticas.

— Muitas vezes é uma escala dupla. Por isso, é preciso avançar no fim da escala 6x1. Está na hora de acabar com isso para que as pessoas possam ficar mais tempo com a família, descansar e viver — disse.

O tema da jornada de trabalho tem sido discutido no Congresso Nacional nos últimos meses, com propostas que buscam alterar as regras atuais de descanso semanal e ampliar o debate sobre condições de trabalho no país.

Violência contra mulheres

A mensagem presidencial foi exibida às 20h30 e teve cerca de seis minutos de duração. Gravado no Palácio da Alvorada, o pronunciamento fez referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, e foi dedicado majoritariamente a temas relacionados à segurança, proteção e direitos das mulheres.

Logo no início do discurso, Lula citou dados sobre feminicídio no país e afirmou que a violência contra mulheres continua sendo um dos principais desafios sociais do Brasil.

— Amanhã, 8 de março, é o Dia da Mulher. É um momento de reflexão sobre como o nosso país trata as mulheres. A cada seis horas, um homem mata uma mulher. Eu me pergunto que futuro o nosso país dará às mulheres — declarou.

O presidente afirmou que, apesar de avanços legislativos recentes — como o aumento das penas para o crime de feminicídio —, ainda é necessário ampliar as ações de prevenção e proteção às vítimas de violência.

Entre as medidas mencionadas, Lula citou iniciativas do Ministério da Justiça voltadas à prisão de agressores, além da ampliação de delegacias especializadas no atendimento às mulheres.

— Vamos sim meter a colher. Vamos ampliar as delegacias e fortalecer a segurança pública. A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido — afirmou.

Estratégia política

Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares do presidente avaliam que o pronunciamento integra uma estratégia de reforço da comunicação do governo com o eleitorado feminino, considerado um dos segmentos mais relevantes para a disputa presidencial de 2026.

Integrantes do governo afirmam que mulheres representam um público central nas estratégias políticas do Palácio do Planalto e que o objetivo é ampliar a identificação desse eleitorado com políticas públicas voltadas à proteção social, segurança e condições de trabalho.

A avaliação dentro do governo é que datas simbólicas, como o Dia Internacional da Mulher, funcionam como oportunidade para destacar ações do Executivo voltadas ao público feminino e reforçar agendas sociais consideradas prioritárias pela gestão petista.