Lula critica Trump e inércia da América Latina diante da invasão à Venezuela
O presidente Lula aproveitou o discurso no Fórum Econômico da América Latina para criticar os ataques de Donald Trump e a inércia dos países latino-americanos diante da invasão à Venezuela.
Lula disse que as cúpulas se tornaram rituais vazios, com ideias que não saem do papel e, em uma crítica à última reunião da Celac, que reúne 33 países da região, disse que ela não foi capaz de encontrar um consenso contra o que chamou de intervenções militares ilegais. Lula fazia referência ao ataque norte-americano à Venezuela. Após a invasão, os países da Celac se reuniram, mas não chegaram a um consenso para condenar o ataque.
Lula voltou a dizer que não é a força que vai acabar com os problemas do mundo e chamou a invasão de Trump de gestos anacrônicos.
"A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos."
Apesar do discurso duro contra os Estados Unidos, Lula não citou o presidente norte-americano no discurso. O presidente também adotou tom mais firme contra os presidentes de países da América Latina e cobrou ação, em meio ao crescimento da direita na região. Ele disse que disputas ideológicas tem prevalecido, inclusive com ameaças de extremismo e que se os países seguirem divididos, ficarão ainda mais frágeis.
Em um recado indireto ao tarifaço, Lula disse que o Brasil escolheu a democracia, a paz e o multilateralismo e que o país respondeu ao protecionismo com firmeza e diálogo. Em mais uma resposta a Trump, voltou a defender a neutralidade do Canal do Panamá — região ambicionada pelo presidente norte-americano.
