Lula critica fim do imposto sindical: ‘Os empresários não foram asfixiados’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou o fim do imposto sindical a asfixia que o governo pretende fazer a organizações criminosas. Em encontro com centrais sindicais no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, Lula afirmou que o fim da contribuição desarticulou os sindicatos por deixar essas entidades sem recursos para mobilizações.
O imposto sindical obrigatório foi extinto em novembro de 2017, com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
—Tem muita gente acha que o movimento sindical morreu e por isso acabaram com o imposto sindical. Eles fizeram com vocês o que nós queremos fazer com o crime organizados. Se a gente quer acabar com crime organizado, temos que asfixiar a economia deles, enquanto tiver o dinheiro que têm, a gente não acaba. E eles trataram o sindicato assim, vamos asfixiá-los, deixá-los sem dinheiro e não conseguem se organizar, fazer panfleto, fazer protesto e vamos asfixiá-los. Mas os empresários não foram asfixiá-los, porque eles tem o Sistema S. Eles continuam fazendo o que sempre fizeram — disse.
Lula recebeu 36 entidades de classe trabalhadora, entre as quais Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Presidente da União Geral dos Trabalhadores e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). O grupo entrego ao presidente uma pauta de reivindicações.
No evento, Lula também recebeu dos sindicalistas um boné vermelho com a mensagem: Pelo fim da escala 6x1. O projeto do governo foi enviado ao Congresso na terça-feira com pedido de urgência, o que obrigaria a Câmara a analisar a proposta em prazo determinado, sob risco de travamento da pauta. Lula afirmou que precisará de apoio dos trabalhadores para aprovar o projeto e disse que o envio do texto é o "começo da luta".
— Queridos companheiros, mas é apenas o começo. A luta não termina com isso, só começa. Aconteça o que acontecer (nas eleições) não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar, litar e lutar pelos trabalhadores que vocês representam. Esse é o destino de vocês.
A proposta do governo prevê a redução da jornada de trabalho sem corte de salários, sob o argumento de que ganhos de produtividade permitiriam sustentar a mudança. No Planalto, o tema é tratado como uma das principais vitrines sociais do governo e visto como uma agenda com forte apelo popular, especialmente em um ambiente pré-eleitoral.
Lula também fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro, sem citar o adversário político:
— Os inimigos estão à espreita. Não desapareceram. quando é que sindicalista nesse país imaginou que alguém ia acabar com Ministério do Trabalho? Da Previdência? A pergunta que fica nesse dia que fizeram extraordinária passeata, é a importância ter clareza na correlação de forças.
