Lula conclama os países da América Latina e Caribe a se unirem: 'seguir divididos nos torna frágeis'

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá, reforçou a necessidade de integração maior na região, em um contexto de “recrudescimento de tentações hegemônicas” no mundo.

—A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.

Segundo o presidente, os últimos anos foram de retrocesso na relação regional, mas disse que não há “possibilidade” de nenhum país sozinho “achar que vai resolver os problemas”.

— Nós já temos 525 anos de história, não são 525 dias, são 525 anos de história. Já fomos colonizados, recolonizados. Já tivemos independentes e continuamos colonizados. Porque muitas vezes a colonização não está na intervenção de outro, está na formação cultural que o nosso povo teve. Temos que mudar de comportam…

Segundo Lula, "vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração".

—A breve experiência da UNASUL entre 2003 e 2014 sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes. Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano.

No seu discurso, Lula afirmou que "não há nenhuma possibilidade de nenhum país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas".

Em uma referência indireta à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, o presidente brasileiro afirmou que a “história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem” o hemisfério.

— A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos. Entre tantos corolários e doutrinas que nos foram dedicadas ao longo da história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento — afirmou Lula, citando Franklin Roosevelt, que, segundo ele, substituiu a intervenção militar pela diplomacia.

Segundo Lula, é necessário pensar em um regionalismo "possível" para América Latina e para o Caribe, sem exportar modelos que não refletem a realidade local, como é o caso da União Europeia.

— Devemos olhar para a União Europeia como uma referência positiva, mas sem ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais. O peso das identidades nacionais torna inviável a curto prazo qualquer projeto de envergadura parecida com o europeu.

Mas, Lula ressaltou que ainda falta às líderes regionais uma convicção de um projeto mais autônomo "de inserção internacional".

—Por que falamos tanto de terras raras e minerais críticos? Para exportarmos o material bruto, para ser transformado nos outros países, e a gente comprar a peso de ouro. Só tem sentido para enriquecer nos nossos países de construir parcerias para ser empresas nos nossos países, gerar empregos e desenvolvimento, se tivermos coragem de fazermos parcerias para que sejam beneficiados nos nossos países.

Ele citou o potencial energético, as condições climáticas para produção de alimentos e a abundância de recursos minerais, inclusive minerais críticos e terras raras. Mas o presidente destacou que os líderes da região precisam gerir essas questões: