Lula cobra Conselho de Segurança da ONU sobre conflito entre EUA e Irã: ‘Assumam a responsabilidade de parar com essa guerra’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (19), a postura do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), rechaçou a guerra dos Estados Unidos contra o Irã e disse que irá escrever um artigo para publicar em jornais dos países que integram o Conselho para “chamar a atenção” sobre o problema. O colegiado tem como membros permanentes a China, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a Rússia.
Lula afirmou que, na semana passada, conversou com vários presidentes desses países e pediu que eles “convocassem uma reunião”.
— Está na hora de vocês convocarem uma reunião, meu amigos. O restante do mundo não participa, mas esses cinco senhores que são membros efetivos do Conselho de Segurança deveriam se reunir para não permitir guerra, para evitar que o Trump invadisse a Venezuela, para evitar que invadisse o Irã. Eles são um Sonselho de Segurança e têm que evitar a guerra. Eu estou escrevendo um artigo para ser publicado nos jornais de cada país que integra o Sonselho de Segurança para chamar a atenção. Assumam a responsabilidade de parar com essa guerra — disse.
O presidente participou da 17ª Caravana Federativa, evento direcionado a prefeitos e vice-prefeitos para divulgar ações do governo federal, em São Paulo. Em um longo discurso, o petista fez diversas críticas aos gastos com guerras pelo mundo nos últimos anos e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que as pessoas “estão perdendo o senso de moralidade”. Ele ainda lamentou os impactos da guerra do Irã no preço do petróleo, o que afeta o Brasil.
— Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã, eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos, a integridade territorial dos países, a gente não pode ter alguém achando que é dono de mundo, que levanta de manhã e diz “eu vou tomar o Irã, vou tomar o Panamá, a Venezuela”. Não é possível. O mundo precisa de paz, de comida, de educação e não de guerra. E por conta desse ataque, nós estamos com uma crise de petróleo, que está subindo no mundo inteiro — falou.
Lula afirmou que o governo federal vai fiscalizar, por meio da Receita Federal, o aumento abusivo no preço da gasolina, diesel e álcool nos postos de combustíveis, e voltou a conclamar os governadores a reduzirem o ICMS para combustíveis. A proposta, entretanto, foi rejeitada pelos estados. Em manifestação divulgada na terça-feira, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) afirmou que cortar impostos não assegura alívio ao consumir e pode provocar perdas bilionárias de arrecadação, com impacto direto em áreas como saúde, educação e segurança pública.
— Tomamos a decisão de isentar de PIS e Cofins, fizemos a decisão de fazer mais uma proposta para que a gente pudesse subsidiar as importadoras, e mesmo assim o preço aumenta. Não aumentou apenas o preço do diesel, aumentou o do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou o da gasolina que não tinha para que aumentar ainda, significa que nesse país tem bandido que quer lucrar até com a desgraça dos outros — acrescentou. Vamos fazer todo o esforço e pedir para os governadores fazer uma isenção de ICMS. Eles poderiam fazer uma isenção de ICMS para não permitir o aumento, e o governo federal se dispõe a devolver para eles a metade da isenção que eles derem, vamos ver se eles vão fazer.
