Lula chama atenção de Edinho e diz que foi a campanha 'menos organizada' desde 1989

Lula chama atenção de Edinho e diz que foi a campanha 'menos organizada' desde 1989 - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas ao presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, sobre a organização da campanha deste ano. Segundo ele, essa foi a disputa "menos organizada" que participou desde 1989 e ficou "aquém" de sua capacidade.

“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, afirmou Lula, em reunião plenária nesta quarta-feira (7) com parlamentares da base e os que foram eleitos no domingo (4). Edinho é o coordenador de campanha de Lula.

Na declaração, o chefe do Executivo admitiu frustração porque a campanha não soube explicar "corretamente" o que seu governo fez nos últimos anos. Em sua visão, sua gestão realizou "muito mais", mas "se conseguimos nos explicar corretamente, não sei", admitiu. "Parte da sociedade não entendeu."

A autocrítica feita ao PT, contudo, não estava prevista para ser transmitida. Segundo fontes, a ideia inicial era fazer uma fala mais interna para, depois, ser aberta à imprensa.

O presidente aproveitou o espaço para também rebater o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno. Na terça-feira (6), o parlamentar disse que o projeto como alternativa à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da 6x1 é "dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade, a sua necessidade". "Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, que não consegue trabalhar mais, vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida", disse Flávio.

Lula, então, disse que "estão contando história para negociar com patrão, como se trabalhador tivesse vantagem", e pediu para a população não aceitar "barganha".

O principal foco do debate de hoje foram as redes sociais. Lula quis ouvir dos presentes, em atividade ou eleitos, de como usaram a parte digital em suas campanhas, e para instruí-los sobre seguir tentando mobilizar militância em suas respectivas regiões, em especial nos Estados que não têm mais primeiro turno.

No palco, tiveram destaque em especial parlamentares jovens, como a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, e os deputados reeleitos André Janones (Rede-MG) e Pedro Campos (PSB-PE), além do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o senador Camilo Santana (PT-CE), que, após ajudar na vitória no Ceará, ganhou um lugar de destaque na campanha nacional a partir desta semana.

Aos mais jovens, ele comentou sobre os vídeos de selfie publicados hoje nas redes sociais, dizendo que é um pedido antigo da equipe, e admitindo que resistiu por muito tempo. "Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas. Eu gosto de falar só o essencial, mas o pessoal me enche o saco: 'Faz uma selfie'. Eu não gosto", disse.

Só nesta quarta-feira, no entanto, foram duas publicações: uma voltada a animar a militância para o segundo turno da eleição e outra cobrando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1.

Ele também aproveitou o encontro para dar instruções aos parlamentares presentes. "O importante é a gente dizer a que veio. E quando ver a notícia ruim [em referência a fake news], não é passar para a frente, é detonar. Porque a facilidade que eles têm de contar mentira é muito grande", sugeriu o presidente.

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