Lula anuncia chefe do jurídico da Petrobras para assumir o Ministério da Justiça no lugar de Lewandowski
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu nesta terça-feira que o atual advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, será o novo ministro da Justiça e Segurança Pública. O convite foi formalizado em uma reunião durante a tarde, em uma das escolhas mais rápidas que Lula fez no terceiro mandato no processo de troca de comando de ministério. Considerada uma das pastas mais importantes da Esplanada, o Ministério da Justiça abrange atualmente uma área que é ponto fraco da gestão de Lula: a segurança pública.
Wellington já vinha sendo tratado como favorito para o cargo entre os auxiliares do presidente desde a semana passada. Nesta terça-feira, o advogado-geral da Petrobras, que estava no Rio, foi chamado por Lula para ir a Brasília. O novo ministro assumirá o lugar de Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na última sexta-feira, após desgaste com colegas do governo, principalmente o chefe da Casa Civil, Rui Costa.
Em nota oficial divulgada pela Presidência da República, o Planalto afirmou que a nomeação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira e destacou a trajetória profissional e pública do novo ministro. Leia a íntegra:
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Wellington César Lima e Silva para assumir o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, em substituição ao ex-ministro Ricardo Lewandowski. O convite aconteceu durante encontro no Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira, 13 de janeiro, com a presença do ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto. A nomeação de Wellington será publicada em edição extra do Diário Oficial da União de hoje. Atual advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva é ex-secretário Especial para Assuntos Jurídicos da Presidência da República da atual gestão. Foi ministro da Justiça no Governo Dilma Rousseff, procurador-geral de Justiça do Estado da Bahia e procurador-geral de Justiça Adjunto para Assuntos Jurídicos. Possui Mestrado em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Cândido Mendes/RJ e integralizou os créditos do Doutorado em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Pablo de Olavide (Sevilha/Espanha), tendo atuado como professor de Direito Penal em cursos de Graduação e Pós-Graduação."
No cargo, o novo ministro terá como desafio lidar com as questões relativas à segurança pública, um tema que deve ser explorado durante a disputa eleitoral deste ano. Pesquisas de opinião têm mostrado aumento da preocupação da população com o assunto nos últimos meses.
Lula decidiu não dividir, no momento, o Ministério da Justiça e criar uma pasta para cuidar especificamente da segurança pública. A avaliação foi que sem a aprovação da PEC que tramita no Congresso o novo ministério se tornaria inócuo. A divisão pode ocorrer ainda neste mandato, segundo a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), se a proposta passar na Câmara e no Senado.
O principal ponto que pesou para Wellington ficar com o cargo foi a sua proximidade com Lula. Entre janeiro de 2023 e agosto de 2024, ele foi secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, posto responsável por todos os decretos, portarias e leis publicados pelo governo. Na função, despachava quase diariamente com o presidente.
O novo ministro já comandou a pasta da Justiça. Mas a sua passagem pelo cargo em 2016 durou apenas 11 dias. Depois de ser nomeado pela então presidente Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que ele precisaria abandonar a carreira no Ministério Público da Bahia, o que ele se recusou a fazer, para poder assumir o posto. Agora, Wellington já está aposentado e não enfrenta essa restrição.
Wellington fez carreira no Ministério Público da Bahia. Quando era governador do estado, o atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o indicou por duas vezes para o cargo de procurador-geral de Justiça. Ele tem também boa relação com Rui Costa.
Levantamento do Datafolha de dezembro de 2025 mostra que a segurança é o principal problema do país dentre as áreas de responsabilidade do governo federal, segundo 16% dos entrevistados. O índice está em alta em relação ao verificado em abril (11%). Perde apenas para saúde, citada por 20% das respostas. Na avaliação sobre a área em que o governo está se saindo pior, 14% citaram temas econômicos; 12%, segurança e violência.
