Lula anuncia apoio à candidatura de Bachelet a secretária-geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, à secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O atual secretário-geral da ONU, o português António Guterres, vai deixar o cargo em 31 de dezembro deste ano, dez depois de chegar ao cargo. Em novembro de 2025, a organização deu início ao processo para a substituição de Guterres. Bachelet já era pré-candidata desde então e formalizou sua candidatura nesta segunda-feira.
"É com muita honra que o Brasil apoia a candidatura de @mbachelet à Secretária-Geral da ONU. Em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher", escreveu Lula em uma rede social.
"A trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Foi a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido", diz o texto.
Lula diz que a "experiência, liderança e compromisso" de Bachelet com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, "em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos".
O presidente faz referência à maior crise da ONU desde a sua fundação no pós-guerra. A sucessão de Guterres ocorre em meio à proposta do presidente americano, Donald Trump, de criar um órgão paralelo às Nações Unidas, chamado de Conselho da Paz, visto como uma tentativa de esvaziar a ONU.
A ex-presidente chilena vai disputar o cargo com pelo menos outros dois candidatos, também latino-americanos: a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan e o diplomata argentino Rafael Grossi. Ambos trabalham atualmente no sistema das Nações Unidas. Ela lidera a Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Já Grossi é o atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
Além do Brasil, Bachelet terá também o apoio do México. Nesta segunda, o presidente chileno Gabriel Bóric, que deixa o posto em março, comemorou o lançamento da candidatura de Bachelet.
"Hoje, o estado do Chile, junto ao Brasil e ao México, temos a honra e o orgulho de oficializar a inscrição da candidatura de Michelle Bachelet Jeria à secretaria-geral das Nações Unidas. A ex-presidenta Michelle Bachelet encarna fielmente os valores da ONU, e esta candidatura expressa uma esperança compartilhada: que América Latina e o Caribe façam ouvir sua voz na construção de soluções coletivas aos tremendos desafios do nosso tempo", afirmou Boric na rede social X.
