Lula: 'Alemães não podem acreditar no mito de que o biocombustível atrapalha a produção de alimentos. Ninguém come biodiesel'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as normas europeias que criam barreiras ao biocombustível brasileiro na região. Em discurso durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado hoje na Hannover Messe 2026, a feira industrial de Hanôver, ele afirmou que não há chance de o país deixar de produzir alimentos para produzir biocombustíveis.
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- Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina, as pessoas comem comida. E sabemos a importância de fazer com que dois setores possam se desenvolver concomitantemente. Os alemães não podem acreditar no mito dito por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de combustível de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos. Se alguém quiser acreditar nisso eu convido a visitar o Brasil. Temos consciência de que a maior arma do mundo é a segurança alimentar do povo - disse ele.
O presidente, que antes do encontro visitou estandes de empresas brasileiras na Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, brincou com o chanceler alemão, Friedrich Merz, dizendo que era uma pena que o premiê não tivesse visitado os estandes brasileiros com dois caminhões Mercedez fabricados no Brasil movidos a biodiesel da produtora brasileira Be8, apresentados no evento:
- É uma pena que o primeiro-ministro não pode visitar o caminhão para ver o sucesso do biocombustível brasileiro comparado ao combustível da União Europeia.
Lula e o chanceler alemão Friedrich Mertz, os dois ao centro, visitam o estande da Volkswagen
Agência Brasil
Além de críticas à políticas referentes a biocombustíveis, Lula criticou diretrizes sobre cálculo de carbono:
- O transporte é hoje um dos principais gargalos de descarbonização da Europa. Apesar disso, a UE está revisando seu regulamento sobre o biocombustível. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasiliero. Também entraram em vigor em janeiro mecanismos unilaterais de cálculo de carbono que desconsideram o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis. Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico - disse Lula.
O presidente também exaltou o acordo entre UE-Mercosul e disse que é preciso que os apoiadores do acordo “falem mais alto” do que os críticos dentro do bloco europeu:
- É um instrumento essencial para melhorar o nosso comércio. Após décadas de negociação, ele entra em vigor a partir do dia 1º de maio. Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em vigência permanente. Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto aos que se opõem, sobretudo na Europa.
(*Do Valor). (Os jornalistas viajaram a convite da Apex Brasil)
De Hanôver (Alemanha)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as normas europeias que criam barreiras ao biocombustível brasileiro na região. Em discurso durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado nesta segunda-feira (20), na feira de Hanôver, ele afirmou que não há chance de o país não produzir alimentos para produzir biocombustíveis. “Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina, as pessoas comem comida. E sabemos a importância de fazer com que dois setores possam se desenvolver concomitantemente”, disse ele.
“Os alemães não podem acreditar na mitologia dito por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de combustível de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos. Se alguém quiser acreditar nisso eu convido a visitar o Brasil. Temos consciência de que a maior arma do mundo é a segurança alimentar do povo”, afirmou.
O presidente, que antes do encontro visitou estandes de empresas brasileiras na feira alemã, também brincou com o chanceler alemão Friedrich Merz, dizendo que era uma pena que o premiê não havia visitado os estandes brasileiros com dois caminhões movidos a biodiesel, apresentados na feira. “É uma pena que o primeiro-ministro não pode visitar o caminhão para ver o sucesso do biocombustível brasileiro comparado ao combustível da União Europeia.”
Além de críticas à políticas referentes a biocombustíveis, Lula criticou diretrizes sobre cálculo de carbono. “O transporte é hoje um dos principais gargalos de descarbonização da Europa. Apesar disso, a UE está revisando seu regulamento sobre o biocombustível. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasiliero.
Também entrou em vigor em janeiro mecanismos unilaterais de cálculo de carbono que desconsideram o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis”, disse, no discurso. “Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico.”
O presidente também exaltou o acordo entre UE-Mercosul e disse que é preciso que os apoiadores do acordo “falem maisalto” do que os críticos dentro do bloco europeu. “É um instrumento essencial para melhorar o nosso comércio. Após décadas de negociação, ele entra em vigor a partir do dia 1º de maio. Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em vigência permanente. Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto aos que se opõem, sobretudo na Europa.”
*Os jornalistas viajaram a convite da Apex Brasil
