O presidente Lula (PT) participa de um ato na tarde deste domingo (11), na Avenida Paulista, ao lado de outras lideranças como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato derrotado do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). Na chegada do ato, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro(PL) e determinou a derrubada do canal — "Exército do Lula", no WhatsApp. Criado após o primeiro turno, o canal é comandado pelo deputado André Janones (Rede) e tem mais de três milhões de membros. — Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir se seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições flua sem interferência da justiça — afirmou Lula.
Ato na avenida Paulista neste domingo (11) Ricardo Stuckert / divulgação PT Antes de discursar, Lula apresentou à multidão da Paulista os governadores petistas reeleitos no nordeste no primeiro turno. Discursaram antes do presidente Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Rafael Fonteles, do Piauí e Elmano de Freitas, do Ceará. Ao falar com o público, o presidente pediu foco na conversa com os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
— Temos agora uma responsabilidade muito grande. Temos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar, muita gente acima de 70 anos não foi votar. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas. Nós temos que convencer as pessoas, se o Lula com 81 anos está com a saúde que está é porque eu quero provar que a idade não faz a gente ficar velho — disse Lula. O presidente também repetiu promessas para um eventual quarto mandato, como o foco em desenvolvimento e tecnologia e educação, e mencionou brevemente o tema da segurança pública.
— O nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica nesse país. Nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos — afirmou. Entre os manifestantes apareciam bandeiras de legendas como PSTU, UP, PSB e faixas com slogans de pautas apoiadas pelo petista, como o fim da escala 6x1 e o Bolsa Família. O ato, que iniciou no Masp, deve seguir na Paulista em direção a Rua da Consolação e terminar na Praça Roosevelt, segundo a Polícia Militar. O público ocupava principalmente os quarteirões entre o Masp e o Conjunto Nacional. Ato na avenida Paulista neste domingo (11) Ricardo Stuckert / divulgação PT Organizado pela União Nacional do Estudantes (UNE), o ato tem também bonecos infláveis que caricaturizam Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Foco em SP A campanha de Lula vê como uma das principais preocupações para a nova etapa da disputa presidencial o desempenho que o petista teve em São Paulo. Lula terminou o primeiro turno com quase 1 milhão de votos a menos no Estado em relação à eleição presidencial de 2022. A estratégia é escalar figuras políticas com força local para manter a candidatura do presidente ativa e buscar ampliar a rede de apoios na reta final da eleição.
A aposta principal tem sido aumentar a participação de Alckmin, ex-governador do estado, e explorar sua interlocução com diferentes grupos políticos mais próximos ao centro e à direita para ampliar os apoios à chapa. Al A intenção é que o vice-presidente, também adote um discurso mais incisivo na disputa e faça críticas mais diretas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
Neste sábado (10), Alckmin, Tebet e Marina participaram de um ato da organização Judeus e Judias Pela Democracia, no Bom Retiro, bairro tradicional da comunidade judaica na capital paulista. O vice-presidente defendeu "falar com a classe média" e mostrar "prejuízos que podem ter" caso o bolsonarismo volte ao poder.
O Globo