Lula ainda faz cálculo político sobre veto aos penduricalhos e quer esperar decisão do plenário do STF

 

Fonte:


Governistas veem na decisão de Flávio Dino uma espécie de conforto ao presidente Lula para que ele possa vetar os penduricalhos aprovados aos servidores da Câmara e do Senado. É como se ele ganhasse uma ‘licença’ para cortar ao menos a possibilidade que os servidores ganhem acima do teto constitucional.

Aliados de Hugo Motta, no entanto, pressionam e dizem que Lula não vai querer começar o ano com desgaste com o Congresso Nacional. Mas o cálculo político que está sendo feito no Planalto leva em conta não só a governabilidade, com apoio do Congresso, mas principalmente, a eleição deste ano. O tema é polêmico, repudiado pela opinião pública, mas servidores também são eleitores, disse uma fonte.

Mesmo assim, Lula vai deixar o assunto em ‘banho-maria’ e decidir mais para frente. Vai esperar, por exemplo, a sessão do plenário do STF que pode ou não confirmar a decisão de Flavio Dino. A votação vai ser um divisor de águas e pode facilitar ou mesmo dificultar um veto do presidente.

No Supremo, a avaliação é que os ministros devem confirmar a decisão de Flavio Dino. Uma fonte disse que já era algo ‘esperado’ e que, sabiam que uma hora teriam que confrontar esse tema. E pode funcionar como uma resposta à opinião pública para dizer que também ‘corta na própria carne’.

Apesar de toda a repercussão, os parlamentares não parecem estar muito preocupados com a opinião pública. Tanto é que decidiram aumentar a verba de gabinete de cada parlamentar. A decisão já está tomada, o ato já está pronto, mas é preciso esperar a sanção de Lula para permitir o aumento. A justificativa? Se aumentou o salário dos servidores, a verba de gabinete, que é usada para pagar os funcionários, também precisa subir ou parlamentares terão que demitir alguns deles.

O problema é que o reajuste aprovado foi de 8 a 9%, além de penduricalhos. E a proposta a ser assinada pelo presidente da Câmara é de um aumento de 24% na verba: passando de R$ 133 mil para R$ 165 mil reais. Numa conta rápida de padaria: só a verba de gabinete vai custar R$ 1 bilhão por ano.

Histórico

Enquanto isso, há quem defenda no Congresso uma elevação do teto constitucional. Na verdade, mais uma. O histórico dos últimos 30 anos mostram que o teto do funcionalismo saltou 360% nos últimos 30 anos.

Em 1996, o salário de um ministro do STF era R$ 10,8 mil. Mais que dobrou em 2006, com R$ 24,5 mil e, agora, em 2026, um ministro recebe R$ 46,3 mil. O aumento do teto, no entanto, não impediu em nada os chamados ‘penduricalhos’.

De lá para cá, mais adicionais e indenizações foram sendo agregados aos salários. Hoje, tem desembargador que ganha mais de R$ 500 mil.