O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discordou da avaliação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que o modelo de crescimento econômico baseado na expansão da renda e do crédito está ultrapassado. Em entrevista à TV Globo, nesta quinta-feira (15), Lula afirmou que trata a dívida pública com "respeito" e defendeu que ela não aumente, mas voltou a dizer que o endividamento pode ser importante se for para se construir ativos ao país. "Trato com muito respeito essa questão da dívida. Não quero que a dívida cresça. Agora, ao mesmo tempo que você tem que levar em conta que se você fizer uma dívida e ela for para construir um ativo para o país, é importante até que você tenha uma dívida", afirmou Lula. Na avaliação do presidente, o "jeito" de resolver o problema fiscal é fazer a economia crescer. "Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. E eu não quero que o povo pobre pague", comentou. "O único jeito de você fazer o déficit com relação a dívida diminuir é crescer a economia, não é cortar do pobre." Lula diz ser favorável à redução da maioridade penal para crimes hediondos Presidente diz que 'não sabia' que Bolsa Família não tinha sido reajustado em seu governo Lula admitiu divergir de muitos economistas e voltou a defender um de seus principais lemas durante seu terceiro mandato: "Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza", comentou. Segundo ele, a expectativa é que o Brasil esteja entre as oito maiores economias do mundo no ano que vem. Tarifa zero e energia elétrica Durante a entrevista, o presidente defendeu as recentes medidas sociais do governo, incluindo a proposta de tarifa zero no transporte público, anunciada no fim desta tarde, poucas horas antes de entrevista. "Essa coisa de dar transporte gratuito para as pessoas nos finais de semana, já que vão ter dois dias de descanso com o fim da escala 6 por 1, vai ser uma coisa maravilhosa para as pessoas", disse o presidente. Ele comparou a proposta a outras medidas de subvenção, como a Tarifa Social da Energia Elétrica e o Vale Gás. "Quem consome até 80 [quilowatts-hora] não paga, quem consome até 120 [quilowatts-hora] paga a diferença", disse. "Nós estamos distribuindo gás para 17 milhões de pessoas, sem custo para o consumidor", completou. Ao tratar do aumento das tarifas de energia elétrica para certos segmentos, no entanto, o petistas colocou a culpa na privatização das empresas. "Fizeram o favor de vender tudo, fizeram o favor de privatizar a Eletrobras a preço de banana. Então, o povo está pagando o preço. A gente nem sempre tem total controle", afirmou. A estatal foi vendida durante a gestão Bolsonaro, com conclusão em 2022. "Eu tenho certeza absoluta que o país está no rumo certo", defendeu, ao concluir a sabatina promovida pela TV Globo, citando o fim da escala 6x1, aprovado na última quarta (14) pelo Congresso, que se tornou um dos motes da sua campanha, e o pacote de mudanças para microempreendedores individuais (MEIs), anunciado nesta semana, em meio ao "pacote de bondades" do governo para o segundo turno das eleições.
Lula afirma que vai manter política fiscal se for reeleito
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