Lula afirma que não acredita em outras intervenções dos EUA na América Latina: 'seria um absurdo'
O presidente brasileiro Lula afirmou nesta quinta-feira (16) em entrevista ao jornal espanhol El País que não acredita em novas intervenções dos Estados Unidos na América Latina. A afirmação acontece após uma invasão na Venezuela e ameaças contra Cuba.
Lula defendeu que 'seria um absurdo' e que 'quer trabalhar com todos'.
'Não tenho idade para outra Guerra Fria entre a China e os Estados Unidos. Quero mais negociação, mais democracia, mais multilateralismo. O que aconteceu na Venezuela começou com a eleição de Hugo Chávez em 2000.Os Estados Unidos estão envolvidos na Venezuela desde então'.
Lula subiu o tom contra a política externa dos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o presidente brasileiro criticou Donald Trump e disse que ele 'não tem o direito de ameaçar o mundo' e defendeu mudanças urgentes na ONU.
O presidente criticou diretamente a postura de Trump em relação à guerra no Irã e aos conflitos no Oriente Médio. Para o presidente brasileiro, a autoridade de uma liderança global deve vir do respeito, e não do medo provocado por ameaças de ataques ou sanções econômicas.
Lula voltou a cobrar o fim do poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.
Segundo ele, o modelo atual, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, é ineficaz para garantir a paz em 2026.
Sobre a Venezuela, o presidente manteve um tom diplomático: cobrou transparência do governo de Nicolás Maduro, mas reafirmou ser contra intervenções estrangeiras no país vizinho.
Aos 80 anos, Lula também afastou rumores sobre cansaço físico. Disse que vai viver 120 anos, e ter disposição para cumprir a agenda política, sinalizando foco total nas eleições de outubro, afirmando que 'não aceita a palavra impossível'.
'Não posso permitir que o país volte a ser destruído como foi durante quatro anos', afirma Lula.
O presidente Lula embarcou nesta quinta-feira (16) para uma viagem oficial à Europa, onde passará por Espanha, onde participa de um fórum sobre democracia com o líder Pedro Sánchez; Alemanha e Portugal antes da entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.
BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
