Após sugestão de aliados, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a postar vídeos em formato de selfie nas redes sociais. Só nesta quarta-feira (7) foram duas publicações: uma voltada a animar a militância para o segundo turno da eleição e outra cobrando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1.
"Bora, gente, pra rua! Vamos conversar com as pessoas!", convocou o presidente, em vídeo gravado no Palácio da Alvorada. Lula segura o celular com a câmera frontal e fala diretamente para a tela, em um movimento atípico do presidente, geralmente refratário ao uso da tecnologia nas ações.
Filmar selfies foi uma das sugestões levantadas por aliados nos encontros dos últimos dois dias após o primeiro turno, no domingo (4). Na segunda-feira (5), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), pediu ao presidente que tirasse fotos e gravasse vídeos em diferentes locais do país em busca de se aproximar do eleitor.
O vídeo também tem por objetivo animar a militância após a derrota. A avaliação do partido e do próprio presidente é que é possível promover uma virada sobre Flávio, mas só se houver engajamento da base. Considerado o melhor porta-voz da candidatura, Lula foi escalado para assumir essa linha de frente, vestindo mais a "camisa de candidato" e deixando de lado a figura institucional pelos próximos vinte dias.
Em outro vídeo, postado um minuto antes, o presidente abordou a votação do fim da escala 6x1, em tramitação no Congresso, e aproveitou para cobrar o adversário. "Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar! Quero saber como ele vai orientar o PL a votar", provocou.
Lula tentou ainda ser didático sobre o que representa o projeto, outra preocupação da campanha, que avalia que, muitas vezes, o eleitor não entende a profundidade dos debates propostos. "O que é o fim da escala 6x1? É o trabalhador deixar de trabalhar seis dias e descansar só um, para trabalhar só cinco e ficar dois em casa", explicou.
Alvo do governo e da campanha neste segundo semestre, a candidatura busca agora usar a votação da 6x1 para tentar estabelecer um contraponto entre o presidente e o adversário. A proposta é colocar Lula como o candidato que defende o trabalhador, citando outras medidas do governo, como aumento real do salário mínimo, e Flávio como o nome que pode acabar com os direitos trabalhistas.
Em plano já colocado em prática desde ontem, as redes sociais petistas estão associando o senador à descontinuidade de políticas sociais e à perda de direitos. Em meio a uma mudança na estratégia de comunicação petista, este deverá ser o tom da disputa durante todo o segundo turno.
Valor