Luísa Arraes viverá Cássia Eller em cinebiografia da cantora; veja primeira imagem
Luísa Arraes será Cássia Eller na cinebiografia da cantora, que começa a ser rodada em outubro, a dois meses do aniversário de 25 anos da morte de Cássia. Com direção de Diego Freitas (de “Caramelo”), “Cássia, o filme” teve os bastidores da primeira sessão para construir a caracterização da atriz exibidos esta quarta-feira, durante o anúncio oficial do filme, no Show de Inverno, evento dedicado ao mercado exibidor de cinema, em Campos do Jordão.
A previsão de lançamento do longa-metragem é para o ano que vem.
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Teste com mais de 100 atrizes
Viúva da cantora (que conquistou o direito legal de criar, como mãe, o filho biológico de Cássia, o hoje cantor e compositor Chico Chico), Maria Eugenia Vieira Martins é uma das maiores entusiastas de Luisa (com quem Chico, na vida real, vive um romance entre idas e vindas) no papel do grande amor da sua vida.
— A Luísa é, primeiro, uma atriz com A maiúsculo, uma excelente atriz. Segundo, ela tem ângulos no rosto parecidos com os da Cássia. Então, na hora de caracterizar, é uma coisa que facilita bastante. A Luísa ainda tem um jeito moleque, que combina muito com o da Cássia. Ao mesmo tempo, ela é feminina e um pouco bruta nos cumprimentos, como também era a Cássia... Por que não a Luísa? — pergunta-se Eugenia, em entrevista ao GLOBO (Luísa fez teste com mais de 100 atrizes, informa a produção). — Gosto muito dela, é uma pessoa muito especial.
Luisa Arraes caracterizada como Cassia Eller
Divulgação
Guardiã da obra de Cássia Eller, Eugenia diz ter demorado muito a chegar à conclusão de que este era um bom momento para que se fizesse “Cássia, o filme”.
— Mas é porque é a gente quer muito que o público conheça uma Cássia que não é o estereótipo da cantora drogada, que subia no palco, pegava no pau e cuspia. É muito reducionista, ela era muito mais que isso — protesta. — A Cássia era uma pessoa de convivência agradável, bem-humorada, leve. Acho que, oportunamente, o filme vai trazer essa faceta dela que o público não conhece muito bem.
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Parte do elenco ainda está em processo de seleção, que é capitaneado pelo diretor de elenco Gabriel Domingues (indicado ao Oscar de Melhor Direção de Elenco por “O agente secreto”). O roteiro é assinado por Bia Crespo e Fernando Bonassi. O longa será produzido pela Migdal Filmes (a mesma do documentário “Cássia Eller”, de 2014, dirigido por Paulo Henrique Fontenelles), em coprodução com H2O Produções e a Diadorim Ideias, com distribuição da H2O Films.
— A Cássia tinha uma energia muito própria, muito verdadeira, e a Luisa também tem isso. Ela consegue ser forte e delicada ao mesmo tempo, sem parecer calculado. Em nenhum momento eu queria alguém tentando reproduzir trejeito ou fazer uma caricatura. O mais importante era encontrar uma atriz que transmitisse a alma da Cássia, a liberdade dela, a intensidade, as contradições. E a Luisa trouxe isso de um jeito muito emocionante — afirma o diretor Diego Freitas.
Segundo a viúva da cantora, estará na tela, segundo Eugênia, a história de amor, o nascimento de Chico e “a minha luta pela guarda e tudo que isso trouxe de referência para o Brasil em termos de parentalidade e maternidade homossexual”.
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Aos 65 anos, Eugenia se aposentou das suas funções na área de segurança e eficácia de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado, e hoje tem se dedicado ao pequeno atelier de costura que tem em casa — o mesmo apartamento, no 12º andar, no prédio do bairro carioca de Laranjeiras em que viveu com Cássia e Chico.
— Tenho aproveitado um ócio produtivo — diz ela, que recentemente escreveu o prefácio para uma biografia da cantora, “Eu queria ser Cássia Eller”, do jornalista Tom Cardoso. — Gosto muito da maneira como ele abordou o tema, como ele costurou a questão desse preconceito brasileiro para tudo que não é heteronormativo. Ele também pormenoriza muito a questão da infância dela, da influência da família, dos tios.
