‘Lugar de alívio, de justiça, mas nenhuma vontade de celebração’, diz Freixo sobre condenação dos mandantes da morte de Marielle
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro.
Em entrevista ao CBN Rio, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, falou sobre a condenação dos mandantes da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ele cita um ciclo de oito anos de muita dor, indignação e obstrução de justiça:
"É muito difícil dizer qual é o sentimento, eu não consegui ainda decifrar o que eu senti porque tem um lugar de alívio, tem um lugar de justiça, mas não tem nenhuma vontade de celebração porque no fundo a gente perdeu a Marielle, né? Depois de oito anos, um ciclo de muita dor, de muita indignação, de muita obstrução de justiça e a condenação indicou isso, de muito pouco caso, envolvendo preconceito, fake news, uma mistura de muita coisa, foi muito pedagógico, né? Trágico e pedagógico, tudo o que aconteceu no Rio de Janeiro, tudo o que aconteceu com a gente mais próximo da Marielle, mas no conjunto da sociedade também e no fim eu acho que foi um sentimento de que se encerra um ciclo que não devia ter começado. (...) A gente chega a uma condenação de um membro do Tribunal de Contas, um deputado federal e um chefe da polícia, isso diz muito sobre o Rio de Janeiro, né? E menos sobre Marielle, mas sobre o Rio de Janeiro, né?"
Freixo destaca que esse julgamento provoca uma autópsia do Rio de Janeiro:
"O que que aconteceu no Rio de Janeiro pra gente ter, por isso que esse julgamento é histórico, né? Por isso que esse julgamento não é histórico que a Marielle é mais importante que qualquer outra vítima, porque olha quem é o réu, olha quem é condenado, olha assim, eu acho que tem uma, tem uma autópsia do Rio de Janeiro nesse julgamento, né? Acho que esse julgamento tem, provoca uma autópsia do Rio de Janeiro, pra gente olhar pra dentro e entender o que que a gente fez com esse lugar tão incrível, né?"
Votaram pela condenação o relator Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente da Primeira Turma, Flávio Dino. Com o voto de Dino, o placar foi fechado em 4 a 0. Ainda cabe recurso ao próprio STF.
Foram condenados:
Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão.
João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão.
Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ: obstrução à justiça corrupção passiva — pena de 18 anos de prisão.
Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e homicídio tentado — pena de 56 anos de prisão.
Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa — pena de 9 anos de prisão.
Rivaldo Barbosa foi absolvido da acusação de homicídio qualificado, por “dúvida razoável”, mas condenado por corrupção passiva e obstrução de Justiça.
Os ministros decidiram por R$ 7 milhões em indenizações e reparação de danos:
R$ 1 milhão em favor da ex-assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, Fernanda Chaves, e da filha dela;
R$ 3 milhões em favor a Marielle (750 mil ao pai, 750 mil à mãe, 750 mil à filha, 750 mil à viúva);
R$ 3 milhões em favor da família de Anderson.
Também foi determinada a perda de função pública de Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Pereira e Robson Calixto. Todos ficam inelegíveis.
