Lucro do Santander cai 28% e fica abaixo do consenso; ROE vai a 11,9%

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Fonte da notícia: Brazil Journal Brazil Journal

O mercado já esperava um resultado mais fraco do Santander Brasil no terceiro tri, mas a piora surpreendeu.   O lucro líquido caiu 4% no tri a tri e 28% na comparação anual, para R$ 2,9 bilhões, 7% abaixo do consenso.

O ROE diminuiu para 11,9% – estava em 12,5% no trimestre anterior e em 17,5% um ano antes.  A frustração no lucro operacional foi ainda maior.

O EBT, de R$ 2,6 bilhões, caiu 38% no ano e e ficou 15% abaixo da estimativa do Citi e 30% abaixo do BTG. (O resultado líquido foi maior que o operacional porque créditos tributários tornaram a alíquota efetiva de imposto negativa, aumentando o lucro líquido, algo que já havia acontecido no segundo tri.)

O balanço é um reflexo da estratégia do Santander de mudar o mix de crédito e migrar a carteira para produtos de menor risco, que têm spreads menores.  “Isso tem um custo, mas é uma estratégia vitoriosa no longo prazo,” disse o CEO Gilson Finkelsztain na call hoje de manhã – a primeira da qual ele participa desde que assumiu o cargo em julho. 

Diante do tamanho do problema que tem para resolver, Gilson disse que “continuidade não significa inércia”, que o banco está abaixo do patamar de rentabilidade que deveria ter e precisa caminhar para recuperar o ROE de forma “gradual e sustentável”.  O desafio será fazer isso em meio a um ambiente de juros altos, com empresas pressionadas e pessoas físicas altamente endividadas.

Por isso, disse o executivo, é preciso ter “inteligência na rotação de ativos”.  A carteira total do Santander continua crescendo menos que a média do bancário.

A expansão foi de 0,9% no trimestre e de 4,7% no ano, para R$ 721 bilhões.  A margem com clientes caiu 1% no tri a tri e 4% em relação ao mesmo período de 2025.

A PDD diminuiu 2,5% no trimestre, mas aumentou 14% no ano, para R$ 7,5 bilhões – um patamar elevado que reflete problemas no atacado, no agro, na baixa renda e também na classe média, especialmente em linhas sem garantia como cartões de crédito, segundo o CFO Carlos Muñiz.  A tendência agora é de relativa estabilidade, disse Muñiz.

“Não consigo dizer se haverá um novo caso no atacado, mas, de forma geral, a inadimplência começa a vir melhor,” afirmou o executivo.  A inadimplência acima de 90 dias aumentou para 3,4% em setembro – ante 3,3% em junho e 2,8% em setembro de 2025. 

A maior alta foi registrada no segmento de pessoas físicas, onde a taxa chegou a 5,5%, frente aos 5,1% do tri anterior e 4,2% há um ano. Já a inadimplência de 15 a 90 dias caiu no tri a tri, de 3,3% para 3,2% – estava em 3,1% em setembro de 2025. 

Para os analistas do Citi, esse “é um indicador antecedente positivo e pode sinalizar uma redução gradual das pressões sobre o crédito, favorecida por uma composição mais conservadora da carteira”. Outro ponto positivo foi a redução de custos.

As despesas gerais somaram R$ 6,4 bilhões, com queda de 3% no trimestre e 0,6% no ano.  Os gastos com pessoal recuaram em torno de 4% nas duas bases de comparação, apesar do impacto do reajuste salarial previsto no acordo coletivo.

O quadro de funcionários foi reduzido em mais 1,5 mil pessoas no trimestre e em quase 6 mil nos últimos 12 meses.  Como resultado, o índice de eficiência melhorou 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, para 38,8%.

Ainda assim, está 1,3 ponto percentual abaixo do patamar de um ano atrás devido ao enfraquecimento das receitas, disse o BTG. Apesar do miss, os analistas não esperam grandes reflexos no preço da ação.

O papel cai 4% hoje, praticamente em linha com a baixa de Bradesco (-5%) e Itaú (-3%), num mercado ainda bastante volátil pós-eleição. O preço da ação do Santander está vinculado às condições da OPA anunciada em julho pela matriz, para comprar os 10% que ainda não possui da operação brasileira.

“Até a semana passada, ouvíamos de vários investidores que não pretendiam aderir à oferta,” escreveu Eduardo Rosman, do BTG Pactual. A justificativa era que o cenário doméstico poderia melhorar significativamente, e o Santander Brasil era negociado com desconto em relação ao Bradesco, seu principal concorrente listado, segundo o BTG. 

“A reprecificação dos ativos após as eleições mudou rapidamente essa avaliação,” disse Rosman.  Na semana encerrada em 27 de outubro, as ações do Santander caíram cerca de 7%, enquanto as do Bradesco recuaram 24% – o que deixou o banco espanhol caro.

Considerando os preços de fechamento de ontem, o Santander Brasil negocia a aproximadamente 1 vez seu último valor patrimonial, ante cerca de 0,9 vez para o Bradesco. “Em nossa avaliação, isso aumenta a probabilidade de os atuais acionistas optarem por aderir à oferta de troca,” disse o BTG. 

Publicação Original Brazil Journal braziljournal.com
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