Último dia para mudanças de partido por deputados movimenta o cenário político em Brasília

 

Fonte:


Acaba nesta sexta-feira o período de janela partidária, para que deputados troquem de partido sem correr o risco de perderem o mandato. As mudanças acabam ocorrendo em função de arranjos políticos para as eleições de outubro. Segundo um levantamento realizado pelo Congresso em Foco, até às 2h da tarde desta quainta-feira, pelo menos 110 parlamentares trocaram de sigla no último mês. Foram cerca de 101 deputados e 9 senadores.

Na Câmara dos Deputados, o Partido Liberal, do ex-presidente Bolsonaro e sigla do filho Flávio Bolsonaro, que vai concorrer às eleições para presidência, foi o partido com maior adesão. 21 parlamentares passaram a integrar a sigla, outros 8 saíram do partido, mas o PL segue com um saldo positivo, de 13 parlamentares ocupando cadeiras, o partido com maior número de novos filiados. Nomes como Alfredo Gaspar e Mendonça Filho agora fazem parte da sigla. Por outro lado, o União Brasil foi o partido com maior perda, e conta agora com menos 13 cadeiras.

✅ Clique aqui para seguir o canal da CBN no WhatsApp

Para o cientista político Lúcio Rennó, a movimentação do aumento de parlamentares do PL já vem acontecendo há algum tempo, liderado por Valdemar da Costa Neto, presidente da sigla, e embasado na força do bolsonarismo junto à população brasileira.

"Então aponta aí para um processo de ainda maior consolidação daquilo que começou como um movimento, vamos dizer assim, um movimento social com uma participação muito engajada da população, se elevando para o nível das elites políticas e se organizando em torno de uma legenda partidária".

Rennó explica que o crescimento da sigla aumenta também o controle sobre o processo decisório no Congresso.

"Mas esse processo de institucionalização partidária do bolsonarismo através do PL, ele tem ambições de controle das duas casas. É certamente que o partido, aumentando o seu número de cadeiras, aumenta sua influência no processo decisório da Câmara, o que pode atrapalhar planos do governo de fazer avançar sua agenda legislativa".

No caso do Senado, essa regra não se aplica, mas os parlamentares precisam estar filiados até amanhã para que estejam aptos a concorrer às eleições. Dentre as mudanças no Senado, o PL também saiu na frente com filiações de Efraim Filho e Sérgio Moro, que eram do União Brasil. Em 4 de outubro, os eleitores vão às urnas para o primeiro turno das eleições deste ano.