Último dia da Expo Favelas reúne iniciativas de arte e impacto social
A Expo Favelas Innovation Rio 2026 se consolida como um espaço de encontro entre inovação, cultura e transformação social ao reunir, em um mesmo ambiente, iniciativas que vão da economia criativa à tecnologia, passando pelo empreendedorismo feminino e projetos sociais que atuam diretamente nos territórios periféricos.
Ao longo do evento que ocorreu no último fim de semana (dias 27, 28 e 29), no Museu do Amanhã, na Zona Portuária, empreendedores apresentaram soluções que dialogam com sustentabilidade. A economia criativa aparece como um dos pilares da feira, com negócios que transformam resíduos em produtos e ampliam possibilidades de trabalho nas favelas, ao mesmo tempo em que reforçam identidades culturais e saberes locais. A tecnologia também ocupou lugar de destaque.
Além dos empreendimentos, o evento também abre espaço para iniciativas sociais que atuam na base das comunidades. É o caso do Instituto Arteiros, organização com 15 anos de atuação na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, que desenvolve atividades nas áreas de arte, educação e ação social.
— Na época em que começamos, percebemos que havia muitas atividades voltadas para jovens e adultos, mas nada direcionado às crianças. Foi assim que iniciamos com aulas de teatro — explica Ricardo Fernandes, ator e diretor executivo do instituto.
Segundo Ricardo, o projeto cresceu junto com os alunos e passou a incorporar novas frentes, como ensino de idiomas, música e preparação para o ingresso no ensino superior.
Ricardo Fernandes (camisa bege), 36, diretor do Instituto Arteiros, com Shaira Silva (28), Emilly Amaral (26) e João Félix (25)
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Hoje, o instituto atende cerca de 500 alunos, com atividades que vão de oficinas artísticas à alfabetização e pré-vestibular, além de alcançar aproximadamente 1.500 pessoas por meio de ações abertas.
— A gente entende a importância de aprender a escrever para poder contar as nossas próprias histórias da forma como queremos — afirma.
Para o público, a Expo Favelas também funciona como espaço de reconhecimento e identificação. A estudante de serviço social Jéssica Marins, de 26 anos, destacou a conexão com as obras expostas.
— Favela é potência, e eu estou vendo essa potência aqui por onde eu passo. Eu me vejo nessas artes, vejo a minha vivência retratada — disse.
Para o público, a Expo Favelas também funcionou como espaço de reconhecimento e identificação. A estudante Jéssica Marins, de 26 anos, graduanda em serviço social na Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou a conexão com as obras expostas.
A estudante Jéssica Marins, de 26 anos, posa ao lado de pinturas do artista Hudson Santos (HUDIN).
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— Favela é potência, e eu estou vendo essa potência aqui por onde eu passo. Eu me vejo nessas artes, vejo a minha vivência retratada — disse.
O psicólogo Paulo Vitor Carvalho, de 40 anos, ressaltou a importância do evento como espaço de valorização cultural, embora acredite que ele poderia crescer ainda mais.
— Estou gostando bastante, mas acho que deveria ser maior ainda, com mais estandes e mais painéis, fiquei admirado com tanta criatividade e arte, por isso acredito que as comunidades e favelas tem muito mais coisa para apresentar — avaliou.
Paulo Vitor Carvalho, 40, ao lado do esposo, Evandro Santos, 30, durante o evento.
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Ele também destacou o caráter coletivo da iniciativa.
— É um evento feito por pessoas pretas, faveladas e periféricas. Estar nesse movimento é muito importante. Ver as crianças se divertindo e reconhecendo a própria cultura com alegria faz diferença para o crescimento delas — afirmou.
