Último criadouro de macacos-prego do Brasil é desativado por maus-tratos após operação do Ibama

 

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O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) deflagrou nesta semana uma operação para o fechamento do último criadouro brasileiro de macacos-prego, localizado na cidade de Xanxerê (SC). O encerramento das atividades se deu após a identificação de casos de maus-tratos a animais ocorridos no local, que funcionava desde 2013 mediante uma liminar judicial.

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A ação, realizada após a expedição de mandado da Justiça, contou com apoio logístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e suportes do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC) e da Polícia Militar Ambiental. Ao todo, 26 primatas foram retirados do criadouro e levados para instituições de reabilitação física e comportamental, em outro estado.

Esta é a segunda apreensão de animais silvestres realizada no criadouro catarinense. No ano passado, 167 animais — 126 aves e 41 macacos — foram resgatados e encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília (DF), Lorena (SP) e Porto Alegre (RS).

Animais encontrados pelos agentes apresentavam sinais de estresse e 'aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado'

Divulgação/Ibama

— O encerramento deste estabelecimento, que operava sem o devido licenciamento ambiental, amparado apenas por decisão judicial posteriormente revogada, representa uma importante vitória para a proteção das espécies do gênero Sapajus no Brasil, algumas das quais ameaçadas de extinção — declarou o superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués.

Liminar mantinha o criadouro aberto há mais de uma década

Em 2007, a Resolução Conama 394, do mesmo ano, definiu a suspensão de novos criadores comerciais de animais silvestres da fauna brasileira até a criação da chamada “lista pet”, que definirá quais espécies estarão passíveis de criação com fins comerciais. Com a mudança, somente criadouros que possuíam autorização prévia à resolução poderiam seguir suas atividades com espécies até então permitidas. Este era o caso do empreendimento fechado esta semana pelo Ibama.

Apesar de possuir registro anterior à resolução de 2007, o criadouro precisava concluir o processo de licenciamento ambiental, o que não ocorreu devido à pretensão de atuar exclusivamente com a criação de primatas, o que é proibido devido aos riscos sanitários envolvidos. Com as proibições, o estabelecimento buscou, em 2013, uma autorização por via judicial para exercer suas atividades.

Em 2024, a liminar acabou cassada, o que permitiu a ação por parte do Ibama para realizar a desativação do criadouro. Ao longo das operações, foram constatados casos graves de maus-tratos de animais, que eram mantidos em gaiolas sem espaço adequado para os movimentos dos macacos. Segundo um dos fiscais envolvidos, os primatas apresentavam “alto grau de comportamento típico de estresse” e que os mesmos eram manejados “com jatos d’água de alta pressão”.

— Daqui para frente, no novo lar, eles terão a oportunidade de compor bandos e viver socialmente, o que é fundamental para qualquer primata. Eles serão tratados com respeito para poderem recuperar a sua dignidade — afirmou a fiscal do Ibama.