Lotus de gesto icônico de Ayrton Senna é exposta em Paris antes de ir a leilão; veja detalhes

 

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Quem se lembra de Ayrton Senna comemorando suas vitórias com a bandeira do Brasil de dentro do cockpit de um Fórmula 1? O gesto marcante da carreira do brasileiro tricampeão mundial (1988/90/91) foi feito pela primeira vez em 1986, na época em que Senna era piloto da Lotus. E é justamente aquela Lotus preta e dourada que será leiloada na primeira quinzena de março. Nesta semana, o icônico carro esteve em Paris para divulgação da venda e também para ser apreciado pelos amantes da velocidade.

O modelo 98T da Lotus foi pilotado por Ayrton nas oito primeiras corridas da temporada de 1986. Naquele período, Senna conquistou cinco pole positions — ele terminaria o ano com oito — e duas vitórias.

Ayrton Senna levanta a bandeira do Brasil após vencer em Detroit, em 1986

Reprodução / FOM

A primeira foi no GP da Espanha, na corrida em que Ayrton chegou à frente do inglês Nigel Mansell por incríveis 14 milésimos de segundo; essa é a terceira diferença mais apertada entre um vencedor e um segundo colocado na história da categoria.

Bandeira do Brasil erguida do cockpit

A segunda vitória de Senna em 1986 foi nos Estados Unidos. O Grande Prêmio disputado nas ruas de Detroit foi realizado no domingo, 22 de junho, um dia após a eliminação da seleção brasileira nos pênaltis para a França na Copa do Mundo, no México.

Como a Lotus tinha muitos mecânicos franceses — o motor era Renault, que atingia mais de 1.000 HP — e o modelo 98T foi projetado pelo francês Gérard Ducarouge, o brasileiro ouviu as brincadeiras no box da escuderia inglesa.

Detalhe do cockpit da Lotus de 1986 pilotada por Ayrton Senna

Márcio Arruda

No domingo, Senna largou na pole position e venceu a corrida, deixando para trás uma dupla francesa: Jacques Laffite, da Ligier, chegou em segundo, e Alain Prost, da McLaren, foi o terceiro a cruzar a linha de chegada.

Depois da bandeirada, Senna viu um torcedor à beira da pista com uma pequena bandeira do Brasil. O piloto encostou a Lotus e, sem sair do cockpit, chamou o torcedor, que lhe entregou a bandeira. O restante daquela volta aos boxes foi feito com o braço esquerdo erguido, empunhando a bandeira do Brasil. O gesto passou a ser um ícone das vitórias de Senna na F1.

Além das duas vitórias emblemáticas, Ayrton Senna foi pole position no GP do Brasil de 1986, tendo terminado a prova na segunda colocação, logo atrás do brasileiro Nelson Piquet, que fazia sua estreia na equipe Williams. Aquela corrida, disputada há 40 anos, no Rio de Janeiro, foi a segunda e última dobradinha brasileira num Grande Prêmio do Brasil de F1.

Um carro estacionado no coração dos brasileiros

A Lotus preta e dourada vive no imaginário afetivo dos torcedores brasileiros. Foi com um carro nessas cores que o bicampeão Emerson Fittipaldi (1972/74) conquistou seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Com a mesma identidade visual e equipe, Ayrton Senna venceu sua primeira corrida de F1, em 1985.

O modelo 98T da Lotus preta e dourada foi o último carro que apresentou aquela identidade visual na Fórmula 1. No ano seguinte, em 1987, a escuderia inglesa mudou o patrocinador máster e pintou o carro com as cores amarela e azul.

Dianteira da Lotus de 1986 de Ayrton Senna

Márcio Arruda

A Lotus 98T será leiloada no mês que vem pela empresa britânica RM Sotheby’s, por meio de uma plataforma online, entre 4 e 11 de março. O valor inicial é de € 8,5 milhões, aproximadamente R$ 53 milhões. Porém, a expectativa é que o valor final alcance € 12 milhões, o que dá algo acima de R$ 74 milhões.

O leitor que sonha em ter a Lotus 98T em casa precisa ter uma robusta conta bancária para dar um lance e arrematar o carro pilotado por Ayrton Senna. Sendo declarado o novo proprietário, terá de arcar com a logística de transporte do bólido, que estará em Londres durante o leilão. Só não vale tirar o carro de lá dirigindo pelas estradas inglesas!

Na temporada de 1986, Senna disputou o título até a penúltima etapa. Ayrton terminou aquele mundial em quarto lugar, atrás de Nelson Piquet, Nigel Mansell, que foi o vice-campeão, e Alain Prost, que faturou o bicampeonato naquele ano.