Lollapalooza Brasil é planejado com anos de antecedência e aposta em dados de público para montar line-up

 

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O Lollapalooza Brasil – que acontece entre os dias 20 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo – vai muito além dos palcos e grandes atrações. Por trás de um dos maiores festivais de música do país, existe um trabalho contínuo de curadoria, análise de dados e escuta ativa do público. Em entrevista ao CBN São Paulo, o diretor artístico do evento, Marcelo Beraldo, detalhou como funciona esse processo.

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Planejamento contínuo e de longo prazo

Segundo Beraldo, enquanto uma edição ainda está prestes a acontecer, as próximas já estão em andamento, e o processo nunca para. A todo momento, os organizadores pensam nos próximos passos.

“Esse processo não começa, porque, na verdade, ele nunca acaba. A gente nem fez essa edição e já está trabalhando na contratação de artistas para 2027 e 2028”, afirmou.

A antecipação é necessária especialmente por conta das agendas internacionais e da disputa por grandes nomes no mercado global de festivais. A montagem do line-up começa pelos headliners, os principais nomes de cada noite. A partir deles, o restante da programação é estruturado dentro de um espectro que inclui pop, rock, eletrônico e rap.

Sabrina Carpenter é uma das principais atrações do Lollapalooza Brasil deste ano

Reprodução/Justin Higuchi

Além do apelo artístico, há um fator decisivo: a capacidade de atrair público.

“A gente procura aqueles que têm capacidade de vender ingresso, porque precisa fechar a conta no final do dia”, explicou.

Para isso, a equipe acompanha de perto o desempenho dos artistas, analisando números de streaming, crescimento de público e o momento da carreira. A ideia é antecipar tendências e apostar em nomes que estarão em alta no período do festival.

Neste ano, nomes como Sabrina Carpenter, Chappell Roan e Lorde são as apostas para atrair o público e vender mais ingressos. As três têm intensa presença nas redes sociais e fortes bases de fãs. Nomes que hitaram no TikTok também compõe o mosaico do Lollapalooza, como Djo – que tem como líder o ator de Stranger Things, Joe Keery – e Addison Rae.

Esta é a segunda vez que Lorde se apresenta no festival, a primeira foi em 2014

Oli Scarff/AFP

Diversidade musical e novas formas de consumir música

Outro ponto destacado é a mudança no comportamento do público, especialmente entre os mais jovens, que consomem diferentes gêneros sem se prender a rótulos.

“Hoje em dia você não vê mais aquela figura de um nicho específico. A pessoa ouve de tudo: eletrônico, rap, pop e rock”, explicou.

Banda Deftones será uma das atrações principais no Lollapalooza

Yuri Cortez/AFP

Esse cenário amplia as possibilidades de curadoria, principalmente entre os artistas que não são headliners, permitindo uma programação mais diversa. Apesar da percepção de que o rock perdeu espaço, Beraldo afirma que o gênero vive um novo momento, impulsionado por plataformas digitais.

“O rock está mais vivo do que nunca. Lá fora está tendo um privado muito forte, muito impulsionado pelo TikTok”, disse. Não à toa, Deftones e Turnstile figuram como headliners.

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Público influencia, mas não define tudo

Conhecido por ser um dos mais engajados do mundo, o público brasileiro também tem peso nas decisões. A organização realiza pesquisas em diferentes etapas do festival e monitora constantemente as redes sociais.

“A gente leva muito em conta, faz pesquisas antes, durante e depois do festival”, disse Beraldo. Ainda assim, ele reconhece que é impossível agradar a todos. “Um festival desse tamanho nunca vai ser unânime”, afirmou.

Serviço

O Lollapalooza Brasil 2026 ocorre entre os dias 20 e 22 de março, com ingressos ainda disponíveis pela Ticketmaster. A programação completa e outras informações de serviço vêm sendo divulgadas ao longo da semana pela CBN.

Com 14 anos de história, o festival se consolida como um dos principais eventos musicais do país e já se prepara para uma edição especial em 2027, quando completa 15 anos.