A Logitech juntou ao seu catálogo de periféricos compactos o Pebble Up, um rato sem fios que conserva o perfil fino da família Pebble e acrescenta uma segunda forma: a tampa superior levanta-se para oferecer uma pega mais alta. Os dados constam da apresentação do produto reportada pelo Gizmochina, que dá conta também de uma bateria recarregável com autonomia indicada de 90 dias.
A ideia já circula no mercado, mas continua pouco comum em ratos deste segmento. Em vez de forçar o utilizador a escolher entre um perfil baixo para transportar e um perfil alto para trabalhar, o Pebble Up tenta responder aos dois cenários no mesmo corpo.
Resta saber se a solução mecânica suporta o uso diário sem prejudicar o que torna a linha Pebble atrativa: o peso contido e a simplicidade. O Pebble Up mede 105,8 x 59,6 x 30 milímetros e pesa 79 gramas.
O Pebble Mouse 2 M350s, lançado em 2023 ao lado do teclado Pebble 2, pesa 76 gramas. A altura extra e o mecanismo de articulação acrescentam, portanto, apenas três gramas.
O dado importa porque mostra que a Logitech não resolveu o problema da pega à custa de transformar o rato num tijolo. A informação foi avançada originalmente por Gizmochina.
A tampa pode ficar plana, o que facilita o transporte numa mochila ou numa bolsa de portátil, ou ser levantada para criar uma inclinação que aproxima o pulso de uma posição mais natural. Quem passa muitas horas com a mão sobre um rato fino conhece o compromisso: o pulso fica mais plano e a mão tende a fechar-se mais.
Alternar entre os dois perfis é, por isso, mais do que um detalhe estético. As fontes não detalham, no entanto, como é feito o mecanismo, se trava com firmeza nas duas posições ou se a tampa pode ser levantada com o rato em uso.
São questões que só um contacto direto com o produto permitiria esclarecer, e ficam em aberto nesta fase. A diferença mais concreta está na alimentação.
O Pebble Up usa uma bateria de lítio-polímero recarregável de 290 mAh, com autonomia indicada pela Logitech de 90 dias por carga. O Pebble Mouse 2 M350s dependia de uma pilha AA.
A mudança tem duas consequências práticas: deixa de ser necessário ter pilhas de reserva em casa ou na mala, mas passa a existir a necessidade de carregar o rato periodicamente. A autonomia anunciada é uma estimativa do fabricante e não foi confirmada de forma independente.
No sensor, o Pebble Up anuncia 4.200 CPI, com DPI ajustável entre 400 e 4.000. Tem quatro botões: clique esquerdo, clique direito, botão da roda e botão DPI.
A roda é segmentada, ou seja, avança em passos em vez de rodar livremente. O botão da roda e o botão DPI podem ser reprogramados na app Logi Options+, que inclui ainda uma função de gestos.
A conectividade repete a fórmula habitual da marca: Bluetooth Low Energy ou recetor USB Logi Bolt, emparelhamento com até três dispositivos e alternância através do Easy-Switch. O alcance sem fios indicado é de 10 metros, valor típico para equipamentos Bluetooth de classe 2.
A Logi Options+ é o centro da personalização, mas o suporte é desigual. Em Windows e macOS, a aplicação permite reprogramar botões e aceder às ferramentas de inteligência artificial que a Logitech tem vindo a integrar no software.
Em iPadOS, Linux, ChromeOS e Android, o rato funciona com as funções básicas, mas sem personalização. Para quem usa o rato sobretudo com um tablet Android ou com um Chromebook, isto significa que o Pebble Up será um apontador competente, mas não tirará partido dos botões extra.
A limitação já existia noutros modelos da marca e continua a marcar a fronteira entre o ecossistema Windows e macOS e o resto. Não há, nas fontes disponíveis, indicação de que a Logitech esteja a preparar uma versão da app para Android com as mesmas capacidades.
A ausência não prova que não exista, mas também não permite contá-la como certa. O Pebble Up chega em três cores: Rose Pink, Graphite Gray e Pearl White.
Cada uma usa plástico reciclado pós-consumo certificado, com 43% de material reciclado nas versões rosa e branca e 56% na grafite. A garantia limitada de hardware é de um ano.
Estes números entram numa tendência já visível na gama Pebble, que há vários anos comunica o uso de plásticos reciclados. Para o consumidor, a diferença entre 43% e 56% é sobretudo informativa.
O que importa acompanhar é se a Logitech mantém a mesma proporção à medida que o produto chega a mais mercados e se a tampa articulada, por ser uma peça adicional, não aumenta a complexidade de reciclagem no fim de vida. As fontes fornecidas não indicam preço nem data de disponibilidade em Portugal.
Também não confirmam quais lojas nacionais terão o modelo nem se chegará ao mesmo tempo que outros mercados. Sem esses dados, qualquer conversão de preço internacional seria especulação.
A decisão de compra em Portugal depende, por isso, de informação que ainda não está esclarecida. Há, no entanto, um ponto que já é possível avaliar.
O Pebble Up posiciona-se como um rato de produtividade portátil, não como um rato para gaming. A ausência de um sensor de alta precisão e a roda segmentada apontam para escrita, navegação e trabalho em documentos.
Quem procura um rato para jogos ou para edição gráfica de precisão deve olhar para outras gamas. Face ao Pebble Mouse 2 M350s, a proposta ganha na ergonomia ajustável e na bateria recarregável, mas perde na simplicidade de substituir uma pilha AA em segundos.
Para quem viaja muito e não quer depender de um cabo, a balança pode pender para o lado da pilha. Para quem já tem o hábito de carregar auscultadores e telemóvel todas as noites, o cabo a mais não será problema.
A jogada da Logitech é inteligente do ponto de vista de produto: resolve uma limitação real da linha Pebble sem mexer no preço de entrada que caracteriza a família, embora esse preço ainda não seja conhecido para Portugal. A tampa articulada é o tipo de inovação incremental que faz sentido num mercado maduro, onde os ratos compactos já são todos finos e leves.
O risco está na durabilidade do mecanismo. Um rato que muda de forma todos os dias tem mais peças sujeitas a desgaste do que um rato rígido.
A garantia de um ano é padrão na gama, mas não é especialmente generosa para um componente mecânico adicional. Só o tempo e o uso dirão se a articulação mantém a firmeza ao fim de milhares de ciclos.
Para já, o Pebble Up faz sentido para quem quer um rato fino para transportar e uma pega mais alta para trabalhar, desde que aceite as limitações da app fora do Windows e do macOS. A confirmar-se um preço competitivo em Portugal, será uma das opções mais versáteis do segmento.
Até lá, a informação essencial para a compra ainda não está fechada. Leiam as últimas notícias do mundo da tecnologia no Google News , Facebook e X (ex Twitter) .
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