Investigações da Polícia Federal (PF) mostram que a empresária e lobista Roberta Luchsinger planejava tirar Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, do país em janeiro de 2025, três meses antes de estourar o escândalo do INSS.
A revelação foi feita pela revista Veja que teve acesso a troca de mensagens anexadas ao inquérito.
Ela diz a um empresário ligado a Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS', que teria prazo para tirar o filho mais velho do presidente Lula do país.
As conversas indicam preocupação de Roberta Luchsinger relacionadas a um negócio em que ela e o 'Careca do INSS' trabalhavam com a suposta parceria de Lulinha para a produção de medicamentos à base de canabidiol.
A revista Veja ainda revelou que a investigação da PF aponta Lulinha como parte do esquema no Ministério da Saúde em um suposto tráfico de influência no governo e que mantinha uma espécie de sociedade com Roberta.
As apurações mostram que a relação entre Lulinha e o lobista 'Careca do INSS' era intermediada pela empresária Roberta Luchsinger.
O jornal O Globo teve acesso a um depoimento de uma testemunha que trabalhou com o 'Careca do INSS'.
A intenção era Luchsinger vender 1,2 milhão de frascos de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, que poderia render R$ 626 milhões.
Uma minuta sobre a negociação foi enviada pela empresária ao então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
A articulação tentava blindar o envolvimento de Lulinha.
Parte do inquérito da PF mostra, ainda, que Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar, que já foi sócio do filho do presidente, tinham um grupo no WhatsApp para tratar das negociações com o governo e o objetivo era "preservar" o envolvimento de Lulinha no esquema.
Documentos que o O Globo teve acesso mostram ainda que a participação de Lulinha nas negociações com o governo era encoberta por Luchsinger e pelo 'Careca do INSS'.
O que dizem os envolvidos no caso?
A defesa de Lulinha disse que reafirma a confiança nas instâncias formais e que vai se manifestar nos autos, só após o acesso integral aos dados, e citou interesses políticos e eleitorais.
Os advogados de Marcola falaram em vazamento seletivo de trechos da documentação, citaram distorção de dados e tentativa de inferferênciar no processo eleitoral”.
A defesa ainda alegou que Marcola nunca “encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.
A CBN ainda tenta contato com a defesa de Roberta Luchsinger.
