Liza Minnelli, 80 anos: críticos do New York Times mostram o que tornou a atriz e cantora uma figura tão icônica

 

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Liza Minnelli, que nesta quinta-feira (12) completa 80 anos, tem se apresentado por pelo menos sete oitavos de sua vida. Isso é muita coisa — e representa muitas Lizas. Há a dançarina de olhos incrivelmente expressivos no programa de variedades de sua mãe, Judy Garland. A jovem atriz da Broadway que recebeu seu primeiro Prêmio Tony antes mesmo de poder votar. A atriz de Hollywood que estrelou filmes de Otto Preminger, Stanley Donen, Martin Scorsese e Bob Fosse. E as gerações mais recentes talvez a conheçam melhor como a lenda do showbiz em idade avançada que, de acordo com seu livro de memórias recém-lançado, “Kids, wait till you hear this!”, não gostou de ser levada em uma cadeira de rodas para apresentar um prêmio no Oscar de 2022.

Mas não se deixe enganar pela longevidade: ninguém alcança o status de ícone da cultura pop sem um pouco de consistência, e Minnelli cultivou uma imagem notavelmente consistente por mais de meio século. Aqui, repórteres e críticos do New York Times examinaram os marcadores visuais desse ícone.

Cílios postiços

Desde os anos 1970, quando Christina Smith, sua maquiadora de longa data, colocou nela cílios postiços para “Cabaret”, o rímel se tornou o esporte radical da estrela. A sombra escura nos olhos contorna suas pálpebras, realçando o branco com uma expressão de prazer, mas também evocando hematomas. Era perfeito para interpretar Sally Bowles, a garota festeira maltratada pela vida, mas que, com um brilho contagiante, nos convidava a largar o tricô e ir ao cabaré. A imagem se tornou a assinatura de Minnelli. Por 50 anos, ela pareceu surpresa, como uma ingênua recém-chegada. Mas isso é o oposto do que ela realmente era (e continua sendo): uma criatura do show business. (Jesse Green)

Cabelo: marca registrada

Existem cortes de cabelo que se tornam parte integrante da identidade de uma pessoa. Considere o corte pixie de Liza Minnelli. Se você simplesmente desenhasse sua silhueta, seus fãs a identificariam como sendo a da atriz.

A história mais consistente situa sua origem em 1966, quando Minnelli, impulsivamente, cortou os cabelos, e seu namorado da época, Peter Allen, e sua amiga Mia Farrow deram os retoques finais.

Apesar de atuar profissionalmente desde os 17 anos e ter ganhado seu primeiro Prêmio Tony aos 19, por sua estreia na Broadway (“Flora the Red Menace”), para muitos, Minelli continuava sendo a filha de Judy Garland. Mas aquele simples corte de cabelo permitiu que ela evoluísse de uma mera imitação da mãe para alguém que trilhou seu próprio caminho e se tornou uma pessoa única.

Ao longo dos últimos 60 anos, Minnelli explorou o pixie com outros estilos — um corte repicado nos anos 70; um permanente em 1982; um corte assimétrico nos anos 80... Mas o visual que será para sempre Minnelli foi estabelecido naquele corte de 1966. (Kera Bolonik)

Pernas

Com 1,63m de altura, Liza é pequena, mas nunca se sentiu pequena. Sua voz é potente e seu visual é ousado, mas é a maneira como ela usa o corpo como um detonador para sua energia explosiva que nos deixa com a impressão de alguém muito maior.

Comecemos pelas pernas esculpidas, orgulhosamente exibidas por sua liga e seus minivestidos característicos. São musculosas e atléticas, com um toque de ousadia. E imprevisíveis, prontas para atacar e desfilar ou cravar os pés no chão com uma postura que transmite instantaneamente seu domínio do palco.

Ela também está igualmente atenta ao impacto dos seus pulsos giratórios, os dedos expressivos e os encolhimentos de ombros despreocupados, executados com tanta naturalidade que chegam parecer quase improvisados. (Brian Schaefer)

Halston

Os melhores amigos mais glamorosos da Manhattan dos anos 1970 eram Liza Minnelli e Roy Halston Frowick, o estilista conhecido simplesmente como Halston. Minnelli usava seus designs brilhantes aonde quer que fosse — um minivestido espelhado, um vestido justo com um suéter de tricô bordô, um terno branco com um chapéu fedora... Ao receber seu Oscar por “Cabaret” em 1973, Minnelli usou uma criação amarelo-canário de Halston. (Alex Vadukul)

Além do corpo

Cena: Quinta Avenida, verão, ao entardecer. Uma limusine. No banco de trás, Liza Minnelli está cantando. Lembro com clareza, embora isso tenha acontecido há décadas, de ter buscado Minnelli em casa e conduzido uma entrevista que produziu uma sensação geral de impenetrabilidade sobre essa mulher que o tempo e a arte haviam reduzido aos seus elementos essenciais: o cabelo, lábios vermelhos, olhos enormes. E joias: diamantes nas orelhas e em um pulso, e no outro, uma pulseira de ouro moldada em forma de osso. Pensei então em um dom concedido a pouquíssimas pessoas, incluindo Minelli — o de concentrar as coisas em sua essência. Em um mundo de imitações, falsidades, contrafações e pseudociência, elas se erguem como lembretes da raridade do que é puro. (Guy Trebay)