Livros de colorir e sucesso da ficção para jovens consolidam recuperação do mercado editorial brasileiro em 2025
O fenômeno dos livros de colorir e o crescimento da ficção para jovens ajudaram o mercado editorial brasileiro a consolidar sua recuperação em 2025, na esteira de uma sucessão de altos e baixos que remonta à década passada. As editoras registraram crescimento nas vendas ao mercado, avanço no volume de exemplares comercializados e expansão em todos os subsetores, informa a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, divulgada nesta quinta-feira (28) pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData.
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De acordo com o levantamento, as vendas ao mercado tiveram alta nominal de 7,7% em relação a 2024, enquanto o volume de exemplares vendidos cresceu 6,5%. Descontada a inflação, o crescimento real do setor foi de 3,3%. O faturamento das editoras foi de R$ 4,5 bilhões.
Ainda que o desempenho positivo tenha sido disseminado, o destaque ficou com o segmento de obras gerais (categoria que reúne ficção, não ficção e literatura infantojuvenil), que cresceu 8,7% em termos nominais e 4,3% se descontada a inflação. Os demais subsetores também registraram crescimento real: didáticos avançaram 3,2%, os religiosos, 2,4%; e os CTP (científicos, técnicos e profissionais), 1,9% — o segmento vinha enfrentando quedas sucessivas nos últimos anos.
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Em coletiva realizada nesta quinta, a economista Mariana Bueno afirmou que, embora o sucesso dos livros de colorir de fato tenha contribuído, a ficção para jovens (também chamada de Young Adult ou YA) foi a maior responsável pelo bom desempenho do setor em 2025.
— O crescimento da ficção, sobretudo dos livros Young Adult, foi o que puxou o mercado. É uma tendência mundial que tem a ver com a relação dos jovens consumidores com as redes sociais e criadores de conteúdo. É gente nova entrando no mercado e potencializando o setor — explicou Bueno, que é coordenadora de pesquisas econômicas e setoriais da Nielsen BookData.
A economista também ressaltou que, ao contrário do que aconteceu em anos recentes, em 2025 a alta do faturamento não foi consequência da elevação dos preços, mas sim de um volume de vendas maior. No ano passado, o preço médio do livro subiu 1,1% e ficou abaixo da inflação, que foi de 4,26% segundo o IPCA.
A pesquisa também mostra a recuperação das livrarias como canal de vendas. Em comparação com 2024, as vendas das editoras para livrarias cresceram 6,1% em volume, o que ampliou em 4,3% a participação desse canal no faturamento do mercado. As vendas para livrarias representaram 28,9% do faturamento do setor.
Ao longo de 2025, as editoras brasileiras lançaram cerca de 45 mil títulos e produziram 367 milhões de exemplares. O número de títulos cresceu 2,4% em relação ao ano anterior, enquanto o volume total produzido permaneceu estável. A maior parte da produção continua concentrada em reimpressões, atestando o papel estratégico dos catálogos para o bom desempenho do setor.
Conteúdo digital
Também foi divulgada nesta quinta a pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, igualmente realizada pela CBL e pelo SNEL com dados da Nielsen BookData. Em 2025, o faturamento das editoras com conteúdo digital (e-books e audiolivros) cresceu 10% nominalmente. Descontada a inflação, a alta foi de 5,5%.
Pela primeira vez, a ficção liderou o ranking de unidades vendidas no modelo à la carte, em que o leitor compra e-books ou audiolivros individualmente. As bibliotecas digitais seguiram em expansão e geraram cerca de R$ 225 milhões em faturamento para as editoras, alta de 24% em relação a 2024. Já os serviços de assinatura cresceram 40%, puxados sobretudo pelos e-books (alta de 63%).
Em 2025, o conteúdo digital respondeu por 9% do faturamento total das editoras — mesmo índice do ano anterior.
Presidente da CBL, Sevani Matos afirmou que os dados apresentam um cenário de “crescimento animador”.
— As pesquisas mostram que temos uma oportunidade diante de nós. O desafio é aproveitar o momento e transformar tudo isso em crescimento sustentável e fortalecer ainda mais a cadeia do livro.
