Linha de ônibus entre a Ilha do Governador e a Tijuca será a primeira a não aceitar pagamento em dinheiro; veja os detalhes
Após o anúncio do fim do uso de dinheiro físico para pagamento de passagens nos ônibus municipais do Rio, autoridades da prefeitura vieram a público explicar a medida, que passa a valer a partir do dia 30. Ontem, em coletiva, o prefeito Eduardo Cavaliere e o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, defenderam a mudança e trouxeram outra novidade: a partir de domingo, a linha 634, que liga a Ilha do Governador à Tijuca, já funcionará em fase de testes e não aceitará mais dinheiro em espécie.
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— Não estamos acabando com a possibilidade de pagar com dinheiro no sistema de ônibus. Estamos acabando com o pagamento em espécie diretamente ao motorista. As pessoas vão poder continuar usando dinheiro nas máquinas de autoatendimento. Estamos implementando nos ônibus regulares a mesma experiência dos serviços de BRT e VLT, onde só é possível acessar com o cartão. Assim como ocorre nesses modais, os usuários terão que se programar para usar o sistema, comprar com antecedência, usar o aplicativo — disse Eduardo Cavaliere.
9,2% ainda usam dinheiro
Na entrevista, o secretário Jorge Arraes afirmou que 9,2% dos cerca de três milhões de usuários de ônibus na cidade pagam a passagem em dinheiro atualmente. Esse índice equivale a 275 mil pessoas, ou praticamente a população de Petrópolis: a nona cidade mais povoada do estado tem 278.881 habitantes, de acordo com o último censo do IBGE.
O contingente ainda sem Jaé pode adquirir cartões avulsos (de cor verde) em máquinas de autoatendimento espalhadas por todas as estações do BRT e do VLT, além de dez paradas do Metrô. Para fazer pessoalmente o Jaé associado ao nome do usuário (o bilhete de cor preta), é preciso procurar um posto de atendimento: há cinco deles na Zona Oeste, outros cinco no Centro e na Zona Norte, e um na Zona Sul — no bairro de Copacabana.
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Outra opção, mais recomendada pela prefeitura, é o cadastro digital. Após baixar o app no celular e preencher as informações pedidas, o usuário pode usar o sistema imediatamente. Basta adicionar créditos via Pix ou no cartão de crédito e apresentar o QR Code no embarque. Pelo aplicativo, também é possível solicitar o cartão físico (o preto).
De acordo com dados divulgados na coletiva, o número de pessoas que pagam a passagem nos ônibus municipais em dinheiro vem caindo desde 2015 no Rio. Em 2019, a porcentagem era de 17,7% do total; e, em 2022, 15,8%.
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— O pagamento com dinheiro não é auditável e exige dupla função do motorista. Sem o dinheiro, além da redução do risco de acidentes, melhora a regularidade das viagens, já que o tempo de parada é reduzido. O Rio não é a primeira cidade que está implementando isso. A medida já existe no Distrito Federal, em Campinas e em Florianópolis — ressaltou o secretário Jorge Arraes.
De acordo com o RJTV2, as capitais Aracaju, Campo Grande, Curitiba, Maceió e Vitória também já deixaram de adotar o uso de dinheiro vivo nos ônibus.
A novidade recai ainda sobre quem tem direito à integração.
— Esse cartão verde, que vai deixar de ser usado para integração, hoje corresponde a somente 3,7% das transações. Então, terá um impacto pequeno em relação ao sistema como um todo, porque 96,3% dos usuários já utilizam o cartão preto no dia a dia. Desses, um em cada três utiliza só o QR no aplicativo. E, para esses, nada muda — afirmou o secretário.
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A linha 634, escolhida para os primeiros testes de viagens sem pagamento em espécie, faz o trajeto de Bananal, na Ilha do Governador, à Praça Saens Peña, na Tijuca. A partir de domingo, o trajeto será assumido pela Mobi-Rio, empresa municipal que administra o sistema de BRT, com 25 ônibus novos, climatizados, operando 24 horas.
— Esse é um serviço muito importante para a Ilha. Além de levar à Tijuca, faz conexões com Fundão, Benfica, São Cristóvão e Rodoviária Novo Rio. Mas a qualidade tem sido mantida muito ruim pelo atual operador. Então, houve a definição de que a Mobi-Rio assuma a partir de domingo — disse Arraes.
Debate nas ruas
A mudança anunciada para o dia 30 deu o que falar entre os passageiros. Morador da Rocinha, o técnico em logística Carlos Antônio da Silva, de 46 anos, gostou da ideia:
— Acho necessário desocupar o motorista dessa função (receber a passagem em dinheiro). É a tecnologia ajudando o homem. Em outras capitais já é assim. Sei que tem pessoas que enfrentarão dificuldades, mas o cidadão tem de acompanhar a evolução — opinou ele.
A babá Sabrina de Souza, de 37 anos, pensa diferente. Moradora de Guadalupe, na Zona Norte do Rio, e trabalhando no Leme, na Zona Sul, ela reclama, sobretudo, do prazo curto para os usuários se adaptarem à mudança, anunciada cerca de 15 dias antes da sua entrada em vigor.
— O tempo é curto. Os passageiros precisavam de um prazo maior. Os mais prejudicados serão as pessoas de mais idade e com pouca intimidade com a tecnologia, que terão dificuldade, por exemplo, para baixar o aplicativo do cartão Jaé — criticou.
Na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado estadual Dionísio Lins (Progressista), presidente da Comissão de Transportes da Casa, anunciou que o colegiado vai notificar o município cobrando alternativas para quem não usa cartão ou aplicativos.
(Colaboraram Anna Bustamante e Geraldo Ribeiro).
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