Próxima estação: promessa.
Mais uma vez, a Linha 3 do metrô — que ligará o Centro do Rio a Niterói e São Gonçalo — está na boca dos políticos.
A expansão do sistema até o outro lado da Baía de Guanabara surge na proposta de sete dos nove candidatos ao Governo do Rio, sabia? Euzinha estou de olho e espero que, dessa vez, o discurso não saia dos trilhos.
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Gabriel de Paiva
O desembarque nesse futuro canteiro de obras será pela esquerda? Pela direita? Pelo centro? Cenas para os próximos capítulos dessa novela que já virou lenda urbana.
Quem promete fazer essa obra ser iniciada até o fim do mandato, por exemplo, é Eduardo Paes (PSD). Já Douglas Ruas (PL) fala em acompanhar a finalização do projeto e que irá captar recursos para implementá-lo.
E as menções não param por aí.
Elas também estão nas propostas de governo de Garotinho (Republicanos) — que quer atualizar os estudos, "evitando anúncio sem projeto" —; William Siri (PSOL), que quer garantir investimento para expandir o metrô, incluindo a Linha 3 (a longo prazo); e Coronel Busnello (Missão), que propõe duas fases para fazer o metrô chegar a Nikit e SG.
Essa expansão também é mencionada por Juliete (UP) e André Marinho (Novo).
Embarque nas propostas para a Linha 3
Editoria de Arte
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'Quem acredita em promessa é santo'
Inspirada nisso na última semana, ao som de Seu Jorge, euzinha dei um voo pela Ponte Rio-Niterói (e, naquela tarde, ela não engarrafou, juro) para ouvir os eleitores do outro lado da poça sobre como é a vida hoje.
Uma coisa é unânime: todo mundo gostaria de perder menos tempo no deslocamento, algo que faz parte da rotina de quem opta pelo busão ou pelo carro.
— Quem acredita em promessa é santo.
E, na eleição, prometem de tudo — corneta a aposentada Eliana Santigo, atualmente moradora de São Gonçalo.
Sua amiga Silma Perdomo, dona de casa que mora em Pendotiba, Nikit, lembra que a Ponte faz o trânsito dar um nó também em vias importantes da Cidade Sorriso.
Mas o humor muda quando deslocamentos até de um bairro para o outro demoram demais.
— O metrô seria um milagre do Roque Santeiro — avalia Silma, durante papo divertido na Praça Arariboia.
— Mas ouço falar na Linha 3 desde mil novecentos e bolinha.
Eliana Santiago, Ema Jurema e Silva Perdomo durante conversa na Praça Arariboia
Gabriel de Paiva
Já o estudante de Química da UFF Hugo Souza, que se mudou de Itamonte (MG) para Nikit no ano passado, adorou a ideia de uma nova opção para chegar ao Rio (e até escreveu um bilhetinho projetando as vantagens do projeto).
Ema Jurema de olho no bilhetinho que o mineiro Hugo Souza escreve sobre o metrô chegar a Niterói
Gabriel de Paiva
Bilhete de Hugo Souza: metrô vai facilitar a vida de todas as pessoas
Reprodução
Euzinha também dei um voo até Alcântara, terra de Agostinho Carrara, em SG.
Por lá, o auxiliar de portaria Janilton Silva, morador no Jardim Catarina, embarcava num ônibus até o trabalho no Centro do Rio, deslocamento que chega a durar uma hora e vinte em caso de trânsito:
— Essa promessa da Linha 3 tem tantos anos e nunca chegou.
Se tivesse metrô para cá, seria muito bom.
Janilton Silva embarca em ônibus de Alcântara para o Centro do Rio, trajeto que pode passar de uma hora
Gabriel de Paiva
Aroldo da Conceição, por sua vez, é segurança aposentado e mora em Itaboraí.
Ele chega a sonhar sobre a nova linha do metrô.
— Seria uma maravilha, tomara que saia do papel — projeta.
Aroldo da Conceição e Ema Jurema em Alcântara (SG), à frente de ônibus para Niterói: linha 3 deve ligar as duas cidades
Gabriel de Paiva
Bilhete de Aroldo da Conceição: metrô seria benéfico por não pegar trânsito
Reprodução
Já a aposentada Cátia Santos, por sua vez, cruzava a ponte com frequência quando acompanhava o marido, que morreu neste ano, num tratamento médico no Rio.
Para as consultas das 10h, ela saía de casa, em Itaboraí, às 4h30.
Que missão!
— A gente não dormia preocupado com a hora, com medo da Ponte — lembra Cátia.
Bilhete de Cátia Santos: tempo perdido sem o metrô
Reprodução
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Plano de três séculos
Ligar Rio e Niterói por baixo da Baía é um plano da antiga, desde os tempos de Dom Pedro II.
Já na segunda metade do século passado, o projeto original do metrô incluiu no mapa a linha até Niterói e, em seguida, se projetou a expansão até São Gonçalo.
Desde então, é grande a lista de promessas e de autoridades que as fizeram.
A mais recente é do ano passado, quando o Governo do Estado prometeu a implantação da Linha 3, incluindo o túnel por baixo d'água.
Atualmente, a Coppe/UFRJ trabalha no Projeto Prisma, nome dado aos estudos que devem terminar numa proposta técnica e numa minuta de contrato que serão sugeridos ao governo estadual na segunda metade do ano que vem.
A iniciativa é bancada por uma emenda parlamentar.
Romulo Orrico, coordenador do projeto, reconhece a importância da ligação com a capital, mas destaca que 75% das viagens de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí ocorrem internamente, do lado de lá da poça.
Segundo a Secretaria estadual de Transporte e Mobilidade (Setram), a implementação da Linha 3 entre a Praça Quinze, Niterói e Guaxindiba "está entre os projetos prioritários" do governo estadual, que "estão em fase de preparação do edital de licitação para a estruturação dos estudos técnicos".
Ema Jurema diante de grafite das barcas, em Niterói.
Estão deixando a gente sonhar com a linha 3 do metrô
Gabriel de Paiva
Além do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a bufunfa para tirar a Linha 3 do papel deve vir do BNDES, que inclui a Linha 3 entre seus projetos sugeridos para regiões metropolitanas de todo o país.
O banco público também estuda o financiamento da expansão da Linha 2, com a ligação entre o Estácio e a Praça Quinze.
Essa intervenção eliminaria cruzamentos operacionais na Central e em Botafogo, aumentaria a capacidade da linha e diminuiria o intervalo entre os trens.
Estão me deixando sonhar.
