Lindbergh aciona PGR e acusa Campos Neto de 'omissão dolosa' na fiscalização do Banco Master
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara, apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a conduta de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, à frente do comando da instituição em meio às fraudes que envolvem o caso do Banco Master. O parlamentar definiu a postura do gestor como uma "omissão dolosa".
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Segundo o deputado, o objetivo da ação é "assegurar uma apuração independente e completa" sobre os possíveis responsáveis pelo escândalo. Para Lindbergh, há "decisões administrativas e eventuais condutas comissivas ou omissivas" que podem ter favorecido as irregularidades praticadas pelo banco e seu dono, Daniel Vorcaro, preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF).
"(A Notícia-Crime na PGR foi protocolada) Para que seja investigada omissão dolosa de Campos Neto na fiscalização bancária e se apure indícios de que norma editada durante sua gestão possa ter contribuído para facilitar fraudes atribuídas ao Banco Master", escreveu Lindbergh, nas redes sociais, nesta quarta-feira.
O parlamentar também mencionou o envolvimento do ex-diretor do Banco Central, Paulo Souza, afastado do cargo por ligações com Vorcaro. Ele e Belline Santana foram afastados ontem por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A determinação ocorreu por conta de uma investigação ter apontado suspeitas de que os dois prestavam serviços de "consultoria informal" para o banqueiro, recebendo vantagens indevidas. Ambos já haviam deixado o cargo por decisão administrativa do BC no âmbito de uma investigação interna sobre o Master.
Atualmente, Campos Neto é vice-chairman e chefe global de políticas públicas do banco Nubank. Procurada, a empresa disse que não irá se manifestar sobre a acusação de Lindbergh. A reportagem não localizou a assessoria do ex-presidente do Banco Central. O espaço segue aberto.
Articulação da esquerda
O Palácio do Planalto está disposto a tentar vincular o caso Master ao ex-presidente e seus aliados, conforme mostrou reportagem do GLOBO. Campos Neto foi indicado à presidência do Banco Central pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2019, cargo em que permaneceu até janeiro de 2025.
Nas redes sociais, nesta quarta-feira, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse que a operação “expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto”, ao citar que Souza e Santana “recebiam dinheiro de Vorcaro para impedir a fiscalização” do banco.
Durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central foi alertado por anos de que o Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado em meio a alegações de fraude, estava se expandindo em um ritmo alarmante. O sistema nacional de garantia de depósitos, conhecido como Fundo Garantidor de Crédito (FGC), enviou cartas de advertência ao BC, enquanto executivos dos maiores bancos do Brasil, principais financiadores do FGC, também entraram em contato com a autoridade monetária para expressar preocupação, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
