Lifting facial cresce quase 80% no Brasil em 4 anos e reflete uma nova era de resultados naturais
O número de procedimentos de lifting facial no Brasil cresceu 78,7% entre 2020 e 2024, passando de 68 mil para mais de 121 mil cirurgias, segundo dados da ISAPS. O avanço expressivo acompanha uma transformação silenciosa na cirurgia plástica: a busca por rejuvenescimento com aparência natural e menos estigmatizada, de acordo com Paolo Rubez, cirurgião plástico formado pela UNIFESP e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
“O lifting facial busca ‘voltar o relógio do tempo’ e rejuvenescer o rosto trazendo as características da face jovem de cada um. Não se deve, portanto, buscar um resultado semelhante ao de outra pessoa, e sim uma versão mais jovem de si. Antigamente estes procedimentos eram feitos apenas nas camadas mais superficiais do rosto, sobretudo na pele. Ou seja, buscava-se rejuvenescer ‘esticando’ a pele e retirando seu excesso. Mas isso promove resultados artificiais, plastificados e estigmatizados. Agora, trabalhamos com novas técnicas como o Deep Plane Facelift, que reposiciona até os músculos da face, com resultados mais eficazes, naturais e duradouros”, diz o médico.
Curiosamente, o procedimento injetável com ácido hialurônico caiu 59% de 2023 para 2024. “Os procedimentos estéticos menos invasivos funcionam e são ótimos, mas, definitivamente, eles não deveriam ser comparados a um lifting facial. Isso ocorre porque há um ‘limite’ para as agulhadas, um tema que é cada vez mais debatido entre os profissionais. Os tratamentos injetáveis atuais chegaram a um ponto descrito como ‘fadiga do preenchimento’: quando o uso excessivo de preenchimento se torna perceptível e, na pior das hipóteses, começa a fazer os rostos parecerem estranhos, com bochechas inchadas e pele esticada.
Lifting facial dura para sempre? Entenda quando uma nova cirurgia é recomendada
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Em paralelo, houve uma grande evolução das técnicas de facelifts, com resultados muito naturais”, explica Beatriz Lassance, membro da SBCP. A médica reforça que o objetivo atual do procedimento é restaurar, e não transformar. “O lifting facial busca amenizar rugas, flacidez e vincos, recuperando os contornos faciais sem alterar a identidade do paciente”, diz.
Mas, por que a procura pelo lifting facial está aumentando? O crescimento consistente ao longo dos anos não é casual, mas reflete uma combinação de fatores, segundo os médicos, como avanço técnico, com resultados mais naturais; maior aceitação social da cirurgia plástica; limitações dos procedimentos não cirúrgicos em casos mais avançados; e envelhecimento populacional ativo, com maior preocupação estética. “Tecnologias como radiofrequência, ultrassom e bioestimuladores têm seu papel, principalmente em casos leves. Mas há um ponto em que apenas o lifting consegue entregar o resultado desejado”, explica Rubez.
Não existe uma idade ideal para o lifting. Segundo Beatriz Lassance, a indicação está mais relacionada ao grau de flacidez e ao incômodo do paciente. “Em geral, o lifting é indicado quando já há flacidez moderada a importante, que não responde mais a tratamentos menos invasivos.”
No consultório dermatológico, o efeito lifting sem cortes é construído de forma estratégica
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Sobre a cirurgia, o procedimento é realizado sob anestesia, com duração média de 3 a 6 horas, e envolve incisões estrategicamente posicionadas próximas ao couro cabeludo e às orelhas, o que ajuda a tornar as cicatrizes discretas. “As técnicas mais recentes conseguem reposicionar tecidos mais profundos e o resultado é esteticamente mais agradável e natural. Elas tratam de forma pontual todas as camadas que apresentam envelhecimento, da superfície ao SMAS (Sistema Músculo Aponeurótico Superficial), tecido que cobre a musculatura, através de pontos para reposicioná-lo. Outro ponto importante é que o resultado se mantém por mais tempo já que o rosto foi tratado de maneira global”, diz Beatriz.
No pós-operatório, é comum haver inchaço e hematomas por algumas semanas, com retorno gradual às atividades. “Não é uma cirurgia dolorosa, mas exige disciplina na recuperação, como evitar sol, atividade física e hábitos que prejudiquem a cicatrização”, destaca Rubez.
Com crescimento consistente e evolução técnica contínua, o lifting facial deve seguir em alta nos próximos anos, segundo os especialistas. “Na medida que o paciente busca resultados mais naturais e começa a perceber que os preenchedores podem trazer, se não usados corretamente, resultados estigmatizantes, a opção pela cirurgia pode ser a melhor escolha. Ainda que a opção pela cirurgia afaste o paciente da sua rotina diária por duas semanas em média, a naturalidade e a maior durabilidade podem ser vantajosas”, finaliza a médica.
