Líderes mundiais reagem à escalada no Oriente Médio; Brasil expressa 'grave preocupação'

 

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A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, neste sábado (28), causou reações de líderes mundiais. Mais de 200 mortos e quase 750 feridos, segundo o Crescente Vermelho.

Entre as vítimas, está o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. A informação foi primeiramente anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; e, depois, confirmada pelo Irã. O país decretou 40 dias de luto. Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters afirmaram que o Ministro da Defesa do Irã e o chefe das Forças Armadas do país também morreram.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o uso da força por Estados Unidos e Israel e a retaliação do Irã. Ele pediu a cessação imediata das hostilidades. A União Europeia anunciou conversas extraordinárias com os parceiros Árabes no Oriente Médio.

Num comunicado conjunto, França, Alemanha e Reino Unido disseram que pediram repetidamente ao Irã que encerrasse o programa nuclear e de mísseis e não agisse mais para desestabilizar a região. Os três países também condenaram os ataques iranianos às nações vizinhas e pediram a volta das negociações.

De forma separada, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a escalada é perigosa para todos. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou a ação militar de Estados Unidos e Israel e disse que a ofensiva contribui para uma ordem internacional mais instável.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou o Conselho de Segurança do país para analisar o conflito. O vice-presidente do órgão, Dmitry Medvedev, criticou o presidente americano, Donald Trump, e afirmou que as negociações com o Irã eram apenas uma fachada.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, defendeu a firmeza dos Estados Unidos e voltou a acusar Teerã de fornecer drones à Rússia.

A China expressou ‘profunda preocupação’, defendeu o respeito à soberania do Irã e pediu um ‘cessar imediato’ da violência. A Turquia se diz pronta para atuar como mediadora. O Canadá declarou apoio a Washington.

Reação do Brasil

O governo brasileiro condenou os ataques feitos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e expressou ‘grave preocupação’ com o cenário.

Uma nota divulgada pelo Itamaraty destacou que as ofensivas ocorreram em meio a um processo de negociação e classificou o diálogo como ‘único caminho viável para a paz’. O Brasil também pediu máxima contenção e respeito ao Direito Internacional.

O Itamaraty ainda divulgou um alerta consular, recomendando que os brasileiros evitem viajar para alguns locais do Oriente Médio, como Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria.

O Ministério das Relações Exteriores ressalta que, para brasileiros em áreas sob ataque, a recomendação é procurar um abrigo imediatamente, evitar multidões e protestos, além de seguir as orientações das autoridades locais.

Reunião de emergência na ONU

Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o embaixador do Irã na ONU afirmou que o ataque feito por Estados Unidos e Israel é um ‘crime injustificável’ e disse que a retaliação é um exercício do direito de autodefesa.

Segundo o diplomata, a reação iraniana está amparada pela Carta da ONU e continuará “pelo tempo que for necessário” enquanto houver agressões. “O governo americano hostil sonha em engolir o Irã e forçar a República Islâmica a se submeter. Isso nunca irá acontecer”, declarou Iravani, acrescentando que Estados Unidos e Israel “violam a lei internacional” e devem ser responsabilizados.

O representante iraniano também criticou a presença de bases militares norte-americanas em países vizinhos e acusou Washington de traição, ao realizar o ataque enquanto ainda ocorriam negociações sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, o país não cederá às pressões externas.

Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do Irã e filho do último xá, deposto pelos aiatolás em 1979, disse que a República Islâmica chegou ao fim e vai para o ‘lixo da história’.

Agências internacionais relatam comemorações em ruas de Teerã, mas as informações ainda são consideradas preliminares. A imprensa é fortemente controlada no país e a internet foi cortada desde o início dos ataques, dificultando a verificação independente dos relatos.

Também há registros de celebrações em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde vive a maior comunidade iraniana fora do Irã, estimada em cerca de meio milhão de pessoas. Manifestantes exibiram bandeiras anteriores à Revolução de 1979, em referência ao regime dos xás.