O presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store tiveram uma conversa por telefone com Vladimir Putin, presidente da Rússia. De acordo com os gabinetes dos líderes nórdicos, a conversa de 90 minutos teve como objetivo discutir "futuras negociações que possam ajudar a encerrar a guerra" na Ucrânia.
A iniciativa, que não foi coordenada com todos os governos europeus, provocou divergências e ceticismo entre aliados. Após a conversa, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu o apoio de Stubb e Store, enquanto Putin voltou a criticar a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Contexto: Zelensky diz que haverá reunião entre Ucrânia, Rússia e EUA em novembro depois de paralisação nas negociações Quer morar fora do Brasil? Guia reúne informações sobre 36 países
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Os líderes nórdicos são os primeiros europeus a entrar em contato com Putin desde a conversa do presidente francês, Emmanuel Macron, com o presidente russo, em julho de 2025.
A conversa, no entanto, gerou reações de outros políticos europeus. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse estar "muito cética" em relação ao diálogo.
Stubb e Store ressaltaram que o contato, realizado a partir de Helsinque, capital da Finlândia, não aconteceu em nome da "Europa como um todo" e afirmaram que a conversa evidenciou divergências entre as partes sobre a guerra e possíveis soluções para o fim. De acordo com Stubb, a conversa foi "franca e substancial" e enfatizou que o resultado do conflito terá impacto direto sobre a segurança dos países nórdicos e da Europa.
— A guerra impõe enormes custos humanos e materiais. O sofrimento e a destruição terão impacto por gerações — acrescentou.
Ataque: Rússia bombardeia Kiev horas após encontro de Putin com enviado de Trump, e Zelensky ironiza: 'nenhuma mudança real' Segundo o líder norueguês, também foram abordadas formas de enfrentar os problemas mais urgentes, incluindo ataques à infraestrutura energética e no Mar Negro.
Ele também reiterou o apoio à Ucrânia: — Estamos ao lado da Ucrânia, defendemos seu direito à autodefesa e enfatizamos a necessidade de uma via diplomática para pôr fim a esta guerra de forma duradoura e justa — afirmou.
O Kremlin informou que Putin disse aos líderes que "uma paz justa de duradoura" só será possível se os interesses da Rússia forem levados em consideração. Após a conversa, Zelensky conversou com Stubb e Store e agradeceu "apoio ativo".
Na semana passada, os três líderes participaram de uma reunião, que também contou com a presença do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff. 'Essa é a impressão': Trump está pressionando a Ucrânia a se render à Rússia, diz Zelensky
Na Europa, a reação foi de ceticismo. Em entrevista à emissora pública dinamarquesa DR, Mette Frederiksen afirmou que a iniciativa não havia sido "coordenada com o restante de nós".
Store respondeu à fala de Frederiksen afirmando que “todos os nossos parceiros e aliados foram informados com antecedência e receberam um relato detalhado posteriormente”. A premier dinamarquesa acrescentou que considera fundamental que outras vozes sejam ouvidas.
— Acredito que conversar, transmitir as mensagens certas, não é errado. Hoje, essas mensagens vêm da administração americana; é a única coisa que chega a Moscou.
Então, agora também há vozes de dois estados vizinhos, falando em nome da Finlândia e da Noruega, não em nome de outros, mas, em plena consonância com a coalizão dos dispostos que compartilham a visão sobre a natureza desta guerra e como ela deve terminar — afirmou. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, por sua vez, disse que havia sido informado previamente sobre a chamada com o líder russo, e que Stubb e Store estavam prontos para assumir a responsabilidade política.
Já o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, confirmou que a ligação entre os líderes da Finlândia e a Noruega com Putin foi coordenada com a Ucrânia, que quer o fim da guerra. — Acolhemos com satisfação este apoio ativo aos nossos esforços diplomáticos e ao processo de paz.
Este apelo foi, como já foi mencionado, coordenado conosco, e esta é a abordagem correta. Vou repetir: a Ucrânia quer pôr fim a esta guerra.
Temos propostas e soluções viáveis. Estamos prontos para cessar-fogos parciais e para o fim total das hostilidades.
Claro que tudo tem de ser justo. Não tomaremos medidas unilaterais — disse.
As relações entre Estados Unidos, Ucrânia e seus aliados europeus vêm se deteriorando desde que o presidente americano Donald Trump concordou em suspender parte das sanções contra a Rússia, permitindo que o país exportasse petróleo para os Estados Unidos.
O Globo