Líder Supremo, Guarda Revolucionária, presidente: quem está comandando o Irã neste momento?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem destacando nas últimas semanas uma fragmentação no regime iraniano e as dificuldades de entender quem está dando as ordens no país. Isso, segundo ele, vem afetando seriamente as negociações.
O Irã, diretamente, não aborda o tema, dando sempre destaque para uma união de todos os poderes, ao mesmo tempo que seguindo ordens do líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do líder anterior, Ali Khamenei.
A questão é que Mojtaba não é visto em público desde o início da guerra. Nem mesmo um vídeo foi divulgado dele, o que coloca em dúvida a capacidade de estar articulando algo.
Segundo a imprensa americana, o governo dos EUA e de Israel acredita que a linha-dura da Guarda Revolucionária esteja no comando das grandes decisões do país, até mesmo por isso a dificuldade em diversos assuntos nas negociações.
Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad-Bagher Ghalibaf.
Divulgação
Vozes mais moderadas, entre as quais se diz que o presidente do parlamento, Mohammad Ghalibaf, e o do país, Masoud Pezeshkian, os teriam instado a negociar com os EUA.
Até mesmo Donald Trump reconheceu a atual situação de liderança fragmentada em Teerã, dando ao Irã tempo, com um cessar-fogo prolongado, para apresentar uma proposta unificada.
O governo americano teme, inclusive, que um acordo com o Irã aconteça, porém não seja válido de fato, devido a autoridade dos negociadores, diz a Sky News.
Irã analisa proposta de assumir o 'controle soberano' do Estreito de Ormuz
Embarcações passam pelo Estreito de Ormuz.
Giuseppe CACACE / AFP
O Parlamento e o Conselho de Segurança Nacional do Irã estão analisando uma proposta para assumir o 'controle soberano' do Estreito de Ormuz, segundo informações da mídia estatal do país.
A agência de notícias Mehr citou um membro da Comissão de Segurança e Política Externa do país, acrescentando que a autoridade decisória final ainda não havia sido definida.
Anteriormente, Teerã havia afirmado que o controle total da hidrovia era uma condição para o fim da guerra.
A hidrovia recebe cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, tornando-se uma poderosa alavanca econômica. Por isso, o assunto é uma questão central nas negociações com os EUA.
