Líder na corrida pelo Senado, Tebet descarta ser vice de Haddad na chapa ao governo de São Paulo
A ex-ministra Simone Tebet (PSB), pré-candidata ao Senado por São Paulo, descartou a possibilidade de concorrer ao cargo de vice-governadora na chapa do Fernando Haddad (PT). Eleita senadora pelo Mato Grosso do Sul em 2014, ela afirmou que a mudança de estado tem como objetivo "ampliar horizontes" e dialogar com os eleitores indecisos para fomentar a ideia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deseja manter um "governo de frente ampla". Conforme a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, Tebet lidera a corrida eleitoral paulista com 14% das intenções de voto.
Genial/Quaest: Tarcísio lidera contra Haddad em São Paulo com vantagem de 12 pontos
Pesquisa Genial/Quaest: Tebet, França e Marina lideram corrida paulista ao Senado e ameaçam grupo de Tarcísio em SP
— O convite que me foi feito para ingressar no PSB e ser pré-candidata em São Paulo foi para um único cargo. Não há nenhuma possibilidade de disputar qualquer outro cargo, pelo menos na eleição de 2026 — afirmou Tebet, em entrevista concedida ao jornal "Folha de S. Paulo". — Zero chance de ser vice — completou.
A ex-ministra defende que São Paulo é um estado "estratégico" para as eleições futuras, que avalia ser acirrada. Tebet declarou que está disposta a ouvir eleitores que concordam e discordam das candidaturas do PT, a fim de dialogar com "eleitores indecisos" e com "quem pensa diferente".
— Aquilo que me assemelha ao que pensa o presidente Lula é infinitamente maior do que aquilo que me separa: a defesa da democracia, da soberania, dos valores, dos avanços em políticas públicas e dos direitos humanos. Agora, obviamente eu sou mais fiscalista e mais liberal na economia — explicou, lembrando que o convite de Lula teve com justificativa seu diálogo "com o público feminino, com o público do interior e do agro".
Chapa majoritária
Em São Paulo, a segunda vaga ao Senado está em aberto entre a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e o ex-ministro do Empreendedorismo e ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB). Ambos possuem 12% das intenções de voto na disputa, de acordo com a Genial/Quaest.
Questionada sobre o tema, Tebet afirmou que a escolha "envolve conversas com o PT, com a Rede, com o PSB", e tanto Marina quanto França são "absolutamente credenciados". Além disso, apesar de descartar ser vice de Haddad, a ex-ministra disse preferir que o cargo seja ocupado por uma mulher.
— Já que um homem, Haddad, será candidato ao governo, eu particularmente gostaria que uma mulher fosse vice, para dialogar com o eleitorado feminino — disse. — Ambos (Marina e França) estão absolutamente credenciados para qualquer cargo. Ambos são experimentados, têm história.
Disputa presidencial
Tebet também declarou que São Paulo "entende" seu discurso "moderado, equilibrado," de uma pessoa que é absolutamente de centro". Ela disse não conseguir tal moderação "do lado de lá", em referência ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca incorporar a característica em seus discursos, como mostrou O GLOBO.
Em relação ao desempenho de Lula nas pesquisas, ela defendeu que o "cansaço" da população contra o petista, puxado pela alta no índice de rejeição e desaprovação do governo, tem que chegar somente após as eleições, já que há questões "anteriores à economia" que são mais "fundamentais" neste momento.
— Não dá para ficarmos, nos próximos quatro anos, falando em anistia, falando em armamento, falando em coisas que não interessam à vida das pessoas. Temos que seguir avançando em políticas públicas. É verdade que temos que ser mais rigorosos no aspecto fiscal. Mas temos que falar numa educação de qualidade, na melhoria da produtividade do trabalhador, em ciência, tecnologia, inovação e terras raras — afirmou Tebet. — Lula é o líder de oposição à extrema direita mais forte para ganhar a eleição. Que não me escute o PT, mas não vejo Lula como um presidente de esquerda. Eu o vejo como centro-esquerda, mas com políticas de centro e de centro-direita.
Corrida eleitoral
Na disputa pelo Senado, O nome de melhor performance do grupo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), neste momento, é o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), com 8% em todos os cenários testados.
Em seguida, vem o deputado federal Ricardo Salles (Novo), que marca 6%. André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa do Estado, chega a 7%, considerando as suas taxas mais elevadas. A segunda vaga tarcisista deve ser entregue a Prado, com Salles concorrendo de modo independente.
Na disputa ao governo do estado, o atual incumbente, Tarcísio de Freitas, larga na frente contra Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda, na primeira pesquisa Genial/Quaest do ano. A cerca de cinco meses do primeiro turno, Tarcísio marca 38% das intenções de voto, contra 26% de Haddad. Ele também é favorito para derrotar o petista numa eventual segunda rodada.
