À frente nas pesquisas de intenção de votos para o governo do Rio, Eduardo Paes (PSD) lidera também entre os evangélicos, segmento tradicionalmente ligado à direita. Os acenos do ex-prefeito da capital para o grupo vêm de antes da campanha, mas se intensificaram na última semana, quando esteve em agendas com lideranças religiosas em pelo menos quatro dias. Em jogo, os votos de um grupo que costuma ter grande influência no pleito fluminense e que, por identificação, poderiam migrar para o rival Douglas Ruas (PL), que se declara evangélico. Quaest: Pesquisa mostra o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro empatados no 2º turno Leia mais: Eleitores de Cury, Renan Santos, Caiado e Zema migram mais para Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno No dia 30 de agosto, Paes participou em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, de uma reunião organizada pelo bispo Abner Ferreira, líder da Assembleia de Deus Madureira, com cerca de mil pastores e obreiros. O líder religioso é um antigo aliado do ex-prefeito do Rio e já fez outros eventos no mesmo molde em campanhas anteriores. Abner apresentou Paes, Pedro Paulo (PSD), Marcos Dias (Podemos), Otoni de Paula (PSD) e Rosenverg Reis (MDB) como seus candidatos e reforçou as ações do ex-prefeito que beneficiaram as igrejas evangélicas, como a distribuição de títulos de regularização fundiária a diversos templos religiosos do Rio. — Meu apoio a ele é público e decorre de uma relação de confiança construída ao longo de muitos anos — diz o bispo Abner. Paes aproveitou seu discurso para os líderes religiosos da Baixada para reforçar os ataques que tem feito a Ruas e sua ligação com o ex-governador Cláudio Castro e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, mas também fez sinalizações claras aos evangélicos, com posicionamentos favoráveis à vida e aos “valores da igreja”. O ex-prefeito elogiou o candidato ao Senado Marcos Dias (Podemos), ligado a Abner, mas que não integra sua chapa. Sem citar Benedita da Silva (PT), Paes chamou o vereador e Pedro Paulo de seus senadores e disse que votar em Dias seria eleger alguém que “defende o interesse do povo”, lembrando que ele foi seu secretário. Patrocínio da prefeitura Paes também esteve no evento Destinos, do teólogo e palestrante Tiago Brunet, onde posou ao lado da cantora gospel Fernanda Brum. Ele estava acompanhando de seu sucessor, Eduardo Cavaliere. O evento recebeu da prefeitura, por meio da Riotur, patrocínio de R$ R$ 1,5 milhão. Questionado, o Executivo municipal afirmou que “patrocina eventos que movimentam o turismo e a economia carioca e que apoia eventos religiosos de diferentes denominações, como o Dia de Iemanjá, Dia de São Jorge e a Marcha para Jesus”. Paes nega que haja uma estratégia de campanha visando o voto do grupo e diz que a movimentação dos últimos dias é mais do “que sempre fez”, reforçando que tem vínculos antigos com líderes evangélicos. Em 2024, quando se reelegeu prefeito, ele costurou um “cinturão evangélico”, que impediu o acesso do então adversário bolsonarista, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), aos eleitores. — Estou fazendo o que sempre fiz, os líderes evangélicos todos são meus amigos, pessoas com quem eu convivo, que eu apoio. A Marcha para Jesus, eventos, as igrejas cumprem um papel fundamental na sociedade. Eu lido com todas as religiões e não é diferente com os evangélicos. O bispo Abner é meu amigo há mais de 30 anos, me dou muito bem com o Silas (Malafaia), apesar de ele não votar em mim, Thiago Brunet é um amigo, o Cláudio Duarte. Não tem nenhuma forçação eleitoral — diz Paes. O ex-prefeito, porém, confirma que a escolha de Jane Reis como sua vice, que é evangélica e casada com um pastor da Assembleia de Deus, é uma sinalização para o grupo: — Jane é uma sinalização clara, de uma mulher da Baixada Fluminense evangélica. Definir chapa também é sobre as sinalizações eleitorais que a gente quer dar. Reuniões diárias A candidata tem sido um elo de Paes com o segmento. Nesses 20 dias de campanha, ela já esteve ao lado do cabeça de chapa em pelo menos cinco agendas com evangélicos, sendo duas em igrejas em Duque de Caxias e três eventos fora da Baixada. Jane, que tem feito reuniões diárias com lideranças evangélicas, concorda que sua presença na chapa aproxima Paes do grupo religioso, mas afirma não haver nenhuma estratégia de campanha para que ela dê uma maior atenção ao segmento: — Tudo acontece de forma natural porque existe uma identificação, eu sou evangélica, casada com um pastor. Eu vivo no meio evangélico desde pequena. Foi também ao lado de Jane que o ex-prefeito, no lançamento da campanha, foi ao Monte Sinai, no distrito de Xerém, em Duque de Caxias. Diante de letras gigantes com o nome de Jesus, Paes vestiu uma camisa branca com uma cruz e o nome de Jesus, onde posou para fotos e participou de uma oração comandada pelo pastor Ângelo Lopes. No mesmo dia, o candidato do PSD tinha ido à Igreja da Penha, em um aceno duplo para católicos e evangélicos que, juntos, representam 70% da população fluminense, segundo o último Censo, de 2022. De acordo ainda com o último Censo, 32% da população de 10 anos ou mais no Rio se declaram evangélicos. Até na Igreja Universal, ligada ao partido Republicanos que tem candidato próprio, Anthony Garotinho, Paes encontrou brechas. Há três semanas, antes do início oficial da campanha, ele esteve com o bispo Honorilton Gonçalves, chefe da Universal no Rio, na sede da igreja em Del Castilho. Há ainda um movimento de candidatos do Republicanos que optaram por não divulgar o ex-governador do Rio em suas campanhas, indicando neutralidade. Segundo integrantes da sigla, não houve uma orientação oficial da direção obrigando o apoio.
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Líder entre evangélicos, Paes intensifica agendas com segmento, historicamente alinhado com a direita de Douglas Ruas
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O Globo
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