Licença-paternidade pelo mundo: veja como outros países concedem o benefício para pais

 

Fonte:


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta terça-feira a lei que regulamenta a licença-paternidade no Brasil e prevê a ampliação gradual do afastamento, dos atuais cinco dias para até 20 dias em 2029. O texto, aprovado pela Câmara no fim do ano passado e pelo Senado no início deste mês, aumenta o número de dias concedidos a pais a título de licença remunerada para o trabalhador do sexo masculino que acaba de ter um filho, natural ou adotado.

Licença-paternidade: 'Desigualdade no ambiente doméstico alimenta disparidade no trabalho'

Imposto de Renda 2026: Quem pode ser declarado como dependente?

O tema é abordado de forma diferente entre nações pelo mundo. Há aquelas que oferecem o benefício de forma igualitária para homens e mulheres, como a Suécia e a Nova Zelândia. Em países latino-americanos como o Chile, no entanto, o tempo de licença reservado para os pais é de apenas uma semana.

No Brasil, a licença-paternidade até então tinha duração de apenas cinco dias corridos em casos de nascimento de filho, adoção ou guarda compartilhada. Com a sanção, o país se juntará a outros que reconhecem o direito de homens ficarem fora do trabalho nos primeiros dias após ter um filho.

Paternidade e trabalho: 'Ser pai me fez um executivo melhor', diz líder da Amazon no Brasil

De acordo com um levantamento de 2024 da Divisão de Políticas Sociais da OCDE, que mostra um panorama de como funcionam as licenças parentais nos países da organização que reúne economias desenvolvidas e da União Europeia, apenas quatro integrantes dos blocos oferecem o direito de forma igualitária para pais e mães.

São eles a Nova Zelândia, Austrália, Islândia e Suécia. Confira abaixo como funciona o direito em alguns dos outros países que aparecem no relatório.

Suécia

Na Suécia, ambos os responsáveis têm direito, conjuntamente, a 480 dias de licença parental. A remuneração é paga a partir do momento do nascimento ou da adoção de uma criança.

Cada um dos responsáveis — se forem dois — tem direito a 240 dias de afastamento do trabalho. Desse tempo, 90 dias são uma cota individual reservada, enquanto o restante dos dias de cada um podem ser transferidos para o outro progenitor. O pai e a mãe podem tirar até 30 dias ao mesmo tempo.

No entanto, é importante observar que a remuneração não é integral. Varia dependendo do período da licença, sendo maior nos primeiros 390 dias (dos 480) e menor nos últimos 90.

Novo programa: Veja o que o governo negocia com os bancos para aliviar envidamento das famílias

Nova Zelândia

A Nova Zelândia também está entre os países que oferecem a licença de forma igualitária para pais e mães. Lá, a licença parental remunerada é dada ao cuidador principal, que pode ser o pai ou mãe, e é permitida em um período de até 26 semanas (182 dias ou 6 meses).

O benefício pode ser transferido entre os parceiros, mas só pode ser usado por um dos dois por vez. O pai, se não for o cuidador principal, ainda teria direito à sua licença paternidade estatutária de 1 ou 2 semanas, que, na Nova Zelândia, é não remunerada.

Estados Unidos

No país mais rico do mundo não existe uma licença parental remunerada em nível federal. A legislação nacional garante apenas até 12 semanas de afastamento não remunerado após o nascimento ou adoção de um filho, com proteção do emprego.

Esse direito vale para trabalhadores de empresas com mais de 50 funcionários e que tenham pelo menos um ano de vínculo. Portanto, pais devem se preparar financeiramente para os primeiros meses de um filho.

Alguns estados e cidades dos EUA porém, criaram seus próprios programas de licença familiar remunerada, que também contemplam os pais. Neles, homens e mulheres podem se afastar para cuidar de um recém-nascido, recém-adotado ou de um familiar doente, recebendo uma parte do salário (geralmente entre 60% e 90%) por 6 a 12 semanas.

Entre os estados que já oferecem esse benefício estão Califórnia, Nova York, Nova Jersey, Rhode Island, Washington, Massachusetts, Connecticut, Oregon e Colorado, além do Distrito de Columbia.

Chile

O Chile possui um número de dias reservados especialmente para os homens que têm filhos mais próximo ao previsto no Brasil. No entanto, esses dias podem ser ampliados, caso a licença parental seja compartilhada.

Funciona assim: as mães podem ter um total de 30 semanas de licença remunerada, que começam a contar em seis semanas antes do parto, e mais 12 semanas após do parto, que podem se somar ainda a mais 12 semanas adicionais de licença parental.

Initial plugin text

Essa última é parcialmente compartilhável entre os pais: seis são exclusivas para a mãe, enquanto as restantes são um direito familiar e podem ser compartilhadas com os pais.

Sem contar com a licença parental compartilhada, homens só possuem uma semana de licença-paternidade remunerada exclusivamente para eles no Chile. Em qualquer uma das licenças, a remuneração é de 100% dos ganhos líquidos dos pais.

França

Já na França, as mães têm direito a 16 semanas de licença-maternidade paga integralmente e a 26 semanas de licença parental com remuneração fixa e baixa, totalizando 42 semanas de licença paga. A parte parental é pouco remunerada, pois o benefício tem caráter assistencial, e não de substituição salarial.

Os pais, por sua vez, têm direito a 30,2 semanas de licença paga, um dos períodos mais longos entre os países da OCDE. Nesse tempo estão inclusas 4,2 semanas de licença paternidade e nascimento com pagamento integral e 26 semanas de licença parental de baixo valor.

Itália

Na Itália, as mães têm direito a 21,7 semanas de licença-maternidade paga a 80% do salário, além de 26 semanas de licença parental, das quais 13 podem ser reservadas aos pais, com remuneração reduzida a 30%.

Além disso, os pais recebem 2 semanas de licença-paternidade exclusiva para eles e paga a 100% do salário. Como eles podem tirar até 13 semanas de licença parental com pagamento de 30%, no total, o direito pago reservado aos pais pode chegar a 15 semanas.

Portugal

Em Portugal, os pais têm direito a uma licença-paternidade de 5 semanas, das quais 4 são obrigatórias, todas remuneradas a 100% do salário. Além disso, há 30 dias de licença parental inicial que o pai deve usar para que o casal receba semanas extras na licença compartilhada, somando um total de 22,3 semanas de licença paga reservada aos pais, com remuneração média de 65% dos ganhos.

Se o pai utilizar pelo menos 60 dias da licença compartilhada, o benefício familiar aumenta de 83% para 90% do salário. No total, o direito pago reservado aos pais equivale a 14,5 semanas de salário integral, bem abaixo das 22,3 semanas equivalentes disponíveis para as mães.

Initial plugin text