Durante o Libtalks sobre "Eficiência Energética: o futuro sustentável da Amazônia", a professora da UFPA e coordenadora do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), Maria Emília Tostes, afirmou que a Amazônia abriga uma das principais florestas do planeta e deveria receber mais investimentos para mantê-la em pé e conter o aquecimento global.
Contudo, há um contraste evidente: enquanto o Sul e o Sudeste brasileiros lideram em infraestrutura, como na mobilidade elétrica e na iluminação, a Amazônia permanece esquecida.
Ela falou sobre a desigualdade de investimentos, listando a falta de infraestrutura: “A região amazônica tem poucos eletropostos se comparada ao Sudeste do país”, disse ela, que também citou o contraste nos mapas de iluminação global, que mostram países desenvolvidos, como Japão e Estados Unidos, iluminados de forma igualitária, enquanto a Amazônia brasileira aparece "no escuro".
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Contradição regional
Maria Emília também salientou que o Brasil tem uma matriz energética renovável, mas investe menos justamente na Amazônia, onde estão os rios aéreos essenciais para o equilíbrio climático.
“A questão da energia está diretamente ligada ao desenvolvimento, mas este avança longe da floresta.
Embora a Amazônia gere rios voadores e sustente a matriz hidrelétrica do Brasil, a região sofre com baixa eficiência energética.
Grandes projetos deveriam trazer melhor mobilidade, conforto, qualidade de vida e proteção aos equipamentos locais”, disse Emília Tostes.
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Os rios aéreos são assim chamados os cursos de água atmosféricos.
Eles formam massas de ar invisíveis que carregam toneladas de vapor d'água pelo céu.
Essa umidade sai do oceano Atlântico, passa pela floresta amazônica, bate na Cordilheira dos Andes e muda de direção.
Depois, ela vai para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
A engenheira elétrica também ressaltou que o clima da região exige o uso contínuo de refrigeração e conforto térmico, e a instabilidade da rede de energia danifica equipamentos eletrodomésticos e industriais.
“A população local tem o direito legítimo ao conforto, à infraestrutura e à qualidade de vida”, disse Maria Emília.
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Voltando-se para as especificidades da região amazônica, o professor do IFPA, Luis Blasques, reiterou a fala de Maria Emília.
Ele frisou que a matriz energética brasileira é predominantemente hidrelétrica, com foco em grandes usinas, no entanto, esses empreendimentos que aproveitam os grandes rios da região, também geram impactos ambientais, como áreas alagadas e são também questionados.
"O projeto de Belo Monte, por exemplo, é bem diferente do de Tucuruí.
Hoje, grandes áreas alagadas não são mais aceitas, o que mudou a forma de planejar essas obras.
O professor falou da possibilidade de outras fontes de energia na Amazônia.
“A energia solar cresceu muito no Brasil e na região Norte, ganhando um papel de destaque na nossa realidade; também a biomassa, em que se aproveita a grande quantidade de resíduos disponíveis na nossa área”.
O docente vê a energia eólica com potencial limitado na região, ficando restrita ao litoral norte, já que a floresta é muito densa.
