Libido na menopausa: tratamentos seguros e o que realmente funciona, segundo especialistas
A queda do desejo sexual durante a menopausa costuma ser tratada como consequência “natural” da idade. Nas redes sociais, o tema aparece com frequência em relatos de mulheres que dizem não se reconhecer mais na própria vida íntima. A dúvida é recorrente: existe tratamento eficaz e seguro para recuperar a libido nesse período?
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O ginecologista e obstetra Ney Simões e o médico Delmiro Gouveia, que explicam que a resposta não é simples nem padronizada. Em medicina sexual, segundo Delmiro, a libido não depende de um único fator. Hormônios, emoções, qualidade do relacionamento, sono, estresse, dor na relação e até medicamentos em uso interferem no desejo. Por isso, as recomendações atuais apontam para uma avaliação biopsicossocial antes de qualquer prescrição.
De forma prática, três abordagens aparecem com mais frequência nas discussões médicas: flibanserina, bremelanotida e testosterona feminina. A indicação e a disponibilidade variam conforme o país e o perfil da paciente.
A flibanserina atua no sistema nervoso central, e não diretamente nos hormônios. Apresenta resultados mais consistentes em mulheres antes da menopausa, mas pode ser considerada após essa fase em situações específicas. Estudos utilizam o Female Sexual Function Index (FSFI) como ferramenta de avaliação da função sexual, e, nesses cenários, pode haver melhora do desejo e de alguns domínios da função sexual, dependendo do perfil da paciente. A decisão envolve análise de tolerabilidade, interações medicamentosas e contexto clínico.
A bremelanotida é aplicada sob demanda, próxima ao momento da relação. Pode melhorar desejo e excitação em parte das pacientes, com resposta variável. Exige avaliação individual e atenção ao perfil cardiovascular. Também não é considerada uma opção padrão, já que aprovação e indicação variam conforme a agência regulatória.
Entre as opções, a testosterona feminina é a que reúne maior volume de evidências para mulheres na menopausa, especialmente quando há queda de androgênios e sofrimento associado à baixa libido. Pode melhorar desejo, excitação e satisfação sexual, desde que utilizada em dose fisiológica e com acompanhamento. "Quando bem indicada e acompanhada, a testosterona em dose fisiológica é hoje uma das estratégias com melhor evidência científica para baixa libido na menopausa, especialmente em casos selecionados e após avaliação adequada", esclarece Dr. Ney.
A Climex Academy reforça que a escolha não deve ser guiada apenas pelo nome do medicamento. "O que define sucesso não é “o nome do medicamento”, e sim o diagnóstico correto, a escolha individualizada e a reavaliação periódica", acrescenta a instituição.
Em relação à segurança, os efeitos variam conforme a medicação. A testosterona, quando usada corretamente, pode causar acne leve, aumento discreto da oleosidade da pele, crescimento sutil de pelos e alterações laboratoriais raras. Para reduzir riscos, recomenda-se dose individualizada, exames periódicos e preferência pela forma transdérmica, como gel ou creme. "A ideia é manter níveis fisiológicos e evitar excessos — isso reduz risco e melhora previsibilidade".
A flibanserina pode provocar sonolência, tontura, náusea e queda de pressão. O uso costuma ser noturno, com restrição de álcool e avaliação de interações. "Interações medicamentosas e tolerabilidade são decisivas nessa escolha, por isso não deve ser usada sem orientação médica", afirma o Climex.
Já a bremelanotida pode causar náusea passageira, rubor facial e aumento temporário da pressão arterial. "Em mulheres com histórico cardiovascular, esse ponto pesa ainda mais na decisão".
Sobre uso prolongado, Ney Simões destaca que a segurança depende da dose, do acompanhamento e do perfil da paciente. A testosterona apresenta bom perfil de segurança no médio prazo quando usada em dose fisiológica, com reavaliações periódicas. A flibanserina deve ser reavaliada após cerca de oito semanas; sem resposta, o uso deve ser interrompido. A bremelanotida é indicada apenas para uso intermitente. A Climex Academy resume: em saúde da mulher, segurança depende de acompanhamento, critério e revisão constante do plano terapêutico.
A indicação costuma ser para mulheres na menopausa com desejo persistentemente baixo e sofrimento emocional associado, após exclusão de causas como depressão não tratada, conflitos conjugais relevantes ou doenças não controladas. Também é essencial investigar dor na relação, secura vaginal, estresse crônico, sono e medicamentos que possam reduzir a libido.
Existem contraindicações específicas. Testosterona não é indicada em casos de câncer de mama ativo, câncer de endométrio sem controle ou excesso prévio de androgênios não avaliado. Flibanserina não deve ser usada por mulheres com doença hepática, uso frequente de álcool ou medicamentos que interfiram no seu metabolismo. Bremelanotida é contraindicada em hipertensão não controlada e doença cardiovascular ativa.
Mesmo em pacientes com hipertensão ou diabetes, o uso pode ser possível quando as condições estão controladas, dependendo da medicação escolhida. A avaliação individual é determinante. Interações medicamentosas também precisam ser consideradas. Flibanserina pode interagir com antidepressivos, alguns antibióticos e álcool. Testosterona pode interferir em anticoagulantes e no perfil lipídico. Fitoterápicos não estão isentos de risco. A Climex Academy alerta: “Natural” não significa “sem interação”.
A associação com terapia hormonal da menopausa pode ser indicada em alguns casos. Estrógeno combinado à testosterona pode melhorar a libido quando há indicação adequada e acompanhamento. O foco, segundo a instituição, deve ser metas fisiológicas e reavaliação periódica.
O tempo de resposta varia: testosterona costuma apresentar resultados entre quatro e oito semanas; flibanserina, até oito semanas; bremelanotida tem efeito rápido, entre trinta e sessenta minutos após o uso. O objetivo esperado é aumento do desejo, melhora da excitação, maior satisfação sexual e redução do sofrimento emocional.
É importante diferenciar libido de secura vaginal. Testosterona pode melhorar sensibilidade e excitação, mas não substitui estrogênio vaginal. Flibanserina e bremelanotida não tratam secura. Nesses casos, podem ser indicados estrogênio vaginal, hidratantes, lubrificantes e, em situações selecionadas, tecnologias como laser ou radiofrequência. Libido e secura podem coexistir, mas exigem abordagens distintas.
Alternativas naturais como maca peruana, tribulus terrestris, ginseng e L-arginina são citadas com frequência, mas apresentam evidência científica limitada e também exigem avaliação médica. Medicamentos podem ser combinados a terapias como psicoterapia, terapia sexual, exercício físico, melhora do sono e manejo do estresse.
O custo e o acesso variam conforme medicação, dose e região. A maioria não é fornecida pelo SUS, e a cobertura por planos de saúde depende do contrato e da indicação.
Na avaliação de Ney Simões, a baixa libido na menopausa não deve ser encarada como destino inevitável. Ele ressalta que o diagnóstico adequado e o acompanhamento são fundamentais para segurança e eficácia, e que a automedicação não é recomendada. A Climex Academy reforça a mensagem final: a mulher merece um plano individualizado, baseado em ciência e acompanhamento contínuo.
