Libertação de presos na Venezuela é 'exemplo' da 'influência' de Trump, diz Casa Branca
A primeira grande libertação de prisioneiros na Venezuela desde a deposição do presidente Nicolás Maduro se deve à "pressão máxima" exercida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, disse a Casa Branca nesta quinta-feira. Mais cedo, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira a libertação de um "número significativo" de presos por razões políticas no país.
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"Este é um exemplo de como o presidente está usando toda a sua influência para fazer o que é certo para os povos americano e venezuelano", disse a vice-secretária de imprensa Anna Kelly em um comunicado à AFP.
Trata-se das primeiras libertações sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu temporariamente após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações de narcotráfico.
De acordo com Jorge Rodríguez, a decisão foi tomada "para a convivência pacífica" e não envolveu negociação com outras partes. O chefe do Parlamento, no entanto, agradeceu a intermediação do ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda não está clara a participação desses governos na decisão.
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— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou Delcy, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. — Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica.
Entre os presos estão a ativista e especialista em questões militares Rocío San Miguel, presa em 2024, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez.
Na época em que Rocío foi detida, o procurador-geral do país, Tarek William Saab, afirmou que ela seria acusada de "traição à pátria, terrorismo e conspiração". Diretora da ONG Controle Cidadão, ela foi considerada a presa política mais importante do governo de Maduro.
Já Márquez, figura relevante da oposição ao chavismo, também foi libertado nas últimas horas. Ele se opôs a reconhecer a vitória de Maduro nas últimas eleições presidenciais, em 2024, e desde então estava preso. Segundo o El País, sua esposa aguarda instruções para ir ao encontro dele.
A ONG Foro Penal estima que a Venezuela tenha atualmente 806 presos por razões políticas, entre eles 175 militares. Em 2024, a mesma ONG anunciou que o país tinha o maior número de presos políticos dos últimos 25 anos, com cerca de 1.780 detidos. Na ocasião, a Venezuela tinha apresentado um aumento considerável nas detenções após as eleições contestadas de 28 de julho, quando Maduro foi proclamado o presidente eleito. Do total de detidos, 114 eram menores.
Antes do pleito, havia 199 presos políticos, segundo registros da organização. Depois da eleição, mais 1.581 foram contabilizados em apenas um mês, aumentando para 2,4 mil no período subsequente. Desde então, mais de 2 mil foram liberados, segundo dados oficiais. Em dezembro passado, no dia do Natal, a Venezuela libertou 99 pessoas que haviam sido detidas durante os protestos contra a reeleição de Maduro, segundo o Ministério do Serviço Penitenciário.
Com AFP.
