Líbano reabre estradas no sul e inicia reparos em pontes após ataques, mas cessar-fogo ainda é frágil

 

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O Exército do Líbano anunciou neste domingo que reabriu uma estrada e iniciou reparos em pontes danificadas por bombardeios de Israel no sul do país, no terceiro dia do cessar-fogo com o movimento pró-iraniano Hezbollah. Apesar dos esforços para restabelecer a circulação e permitir o retorno de deslocados, novos incidentes e mortes registrados nos últimos dias indicam que a trégua ainda é frágil.

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Em comunicado, o Exército informou que “reabriu completamente a estrada entre Jardali e Nabatiyeh” e “parcialmente a ponte Burj Rahal, em Tiro”. Também disse que trabalha para restaurar a ligação entre Falsay e Tiro, após danos provocados pelos ataques israelenses.

Segundo os militares, bombardeios contra pontes sobre o rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira com Israel, haviam praticamente isolado o sul do Líbano do restante do território. A reabertura de uma das passagens, na sexta-feira, permitiu que um grande número de deslocados retornasse a suas cidades e vilarejos para verificar as condições de suas casas.

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Ainda assim, muitos moradores demonstram hesitação em voltar de forma definitiva, diante da incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo, que suspendeu as hostilidades iniciadas em 2 de março. No sábado, houve intenso fluxo de veículos em direção a Beirute, com pessoas deixando o sul e retornando a abrigos provisórios.

Mesmo com os sinais de retomada, episódios recentes reforçam a instabilidade no terreno. As Forças Armadas de Israel informaram que dois soldados morreram desde o início da trégua. Um deles, o sargento-major da reserva Barak Kalfon, morreu em uma explosão durante operações de varredura em edifícios, enquanto outro militar, Lidor Porat, foi morto após o veículo blindado em que estava atingir uma mina terrestre, em um caso que será investigado como possível violação dos termos da trégua.

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A tensão também atingiu forças internacionais. Um soldado francês da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) morreu após sua patrulha ser alvo de disparos de armas leves no sábado. O presidente da França, Emmanuel Macron, responsabilizou o Hezbollah pelo ataque, mas o grupo negou envolvimento e classificou as acusações como precipitadas. Outros três capacetes azuis ficaram feridos, dois deles em estado grave.

Apesar do cessar-fogo, Israel mantém presença militar no sul do Líbano e anunciou no sábado a criação de uma “linha amarela” de demarcação, em uma faixa de cerca de dez quilômetros a partir da fronteira. A medida ocorre enquanto seguem as negociações por um acordo mais amplo entre os dois países, formalmente em guerra desde 1948.

O conflito recente, que durou cerca de um mês e meio, deixou quase 2.300 mortos e cerca de um milhão de deslocados no território libanês.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país “ainda não terminou” sua ofensiva contra o Hezbollah, indicando que o objetivo de desarmar o grupo permanece em aberto.

No plano diplomático, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, acusou Israel de tentar criar um “fato consumado” no Líbano, apesar do cessar-fogo. Segundo ele, o governo israelense estaria se aproveitando da atenção internacional voltada para outras crises, como as negociações entre Irã e Estados Unidos, para avançar no território.

(Com AFP)