O Líbano e Israel chegaram a um acordo sobre uma lista restrita de países que poderiam enviar tropas para verificar o desarmamento do Hezbollah no âmbito de um acordo mediado pelos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira uma autoridade libanesa, cabendo a Washington escolher os países da lista.
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A autoridade se recusou a identificar qualquer um dos países da lista ou a informar quantos eram.
Outra autoridade libanesa e dois diplomatas estrangeiros já haviam informado à Reuters que Israel e os EUA haviam vetado a França.
A lista foi elaborada durante reuniões entre o Líbano e Israel na embaixada dos EUA em Roma nesta semana, na mais recente rodada de negociações sobre como implementar um acordo de 26 de junho que vincula a retirada gradual das tropas israelenses do Líbano ao desarmamento do Hezbollah, que seria “verificado” por uma terceira parte.
O Hezbollah não é parte do acordo e se recusou a abrir mão de seu arsenal.
“Chegamos a uma lista restrita de países.
Decidimos quais partes eram inviáveis para cada um e definimos os possíveis participantes”, disse a autoridade libanesa.
“Os americanos agora vão decidir e poderão escolher mais de um país.”
Não houve resposta imediata do Ministério das Relações Exteriores de Israel às perguntas da Reuters sobre a lista restrita.
Quando questionado sobre a lista, um porta-voz do Departamento de Estado disse que as negociações foram “produtivas nos níveis técnico e especializado”, mas não forneceu detalhes.
O governo do presidente Donald Trump vem tentando intermediar o fim dos combates entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, que se intensificaram desde março, paralelamente à guerra mais ampla dos EUA e de Israel contra o Irã.
Dois dias após os EUA e Israel terem atacado o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah disparou contra Israel em solidariedade à República islâmica.
As forças israelenses responderam com bombardeios aéreos e um ataque terrestre, ocupando uma faixa de terra que se estende por cerca de 10 km no interior do sul do Líbano.
Mais de um milhão de civis libaneses foram forçados a fugir de suas casas.
A autoridade libanesa afirmou que Beirute havia rejeitado uma proposta anterior para que empresas de segurança privada atuassem como verificadoras independentes do desarmamento do Hezbollah.
Estruturas destruídas no sul do Líbano, vistas do lado israelense da fronteira entre Israel e Líbano, no norte de Israel, em 6 de agosto de 2026.
Foto tirada com um celular
REUTERS/Avi Ohayon
“Todos os atores propostos são países.
Ainda precisamos discutir exatamente como isso funcionaria, quantas forças seriam mobilizadas e como elas atuariam em conjunto com o exército libanês”, disse a autoridade.
Também seria necessário chegar a um acordo sobre um quadro para a presença de tropas estrangeiras no Líbano, possivelmente integrando-as à força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Líbano, a Unifil, cujo mandato está previsto para expirar no final deste ano.
A autoridade libanesa afirmou que isso exigiria uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU, que os EUA e Israel agora estavam dispostos a considerar -- o que chamou de avanço significativo.
Outras possibilidades incluem a integração das tropas a uma agência separada das Nações Unidas ou por meio de um memorando de entendimento com o Líbano.
As negociações, no entanto, não resultaram em um acordo sobre a próxima área da qual as tropas israelenses se retirariam para que as tropas libanesas pudessem assumir o controle.
Beirute havia proposto Bint Jbeil e Khiam, duas grandes cidades duramente atingidas por ataques aéreos e onde as tropas israelenses arrasaram bairros inteiros.
A próxima rodada de negociações está marcada para o início de setembro, informou a autoridade libanesa.
