Libaneses estão resignados a enfrentar uma guerra longa, mesmo se acordo entre EUA e Irã for anunciado

Libaneses estão resignados a enfrentar uma guerra longa, mesmo se acordo entre EUA e Irã for anunciado

 

Fonte: Bandeira



Mais uma vez, um cessar-fogo está em vigor no Líbano há semanas. E, mais uma vez, os combates não foram interrompidos. Israel continua bombardeando a maior parte do sul e do leste do país. Seus drones dão voos rasantes sobre os céus de Beirute. O Hezbollah segue atacando tropas israelenses que ocupam o território libanês e disparando foguetes contra Israel. O número de mortos não parou de subir.

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E agora — mesmo com uma trégua em vigor desde abril, e em meio a sinais sobre um potencial acordo entre EUA e Irã, o maior patrocinador do Hezbollah — os libaneses se sentem resignados ao pensar que o fim de fato para a guerra entre Israel e o grupo político-militar não virá tão cedo.

Ao invés disso, Israel prometeu intensificar sua campanha militar no país árabe, com incursões terrestres ainda mais profundas, além do território que já ocupa, emitindo ordens de evacuação para duas cidades na área.

— Não confio mais nem nos EUA nem em Israel — disse Ghinwa Ftouni, moradora de Baisariyah, no sul. — Só ouça esses bombardeios em série.

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Sua desilusão reflete os dois anos de guerra no Líbano, e também décadas de um país disfuncional, que se arrasta de crise em crise, e cujo destino é determinado mais por forças externas do que por seus fragmentados líderes.

Em 2023, o Hezbollah começou a atacar posições israelenses em apoio a seu aliado palestino em Gaza, o Hamas. Israel respondeu com disparos de artilharia, ataques aéreos e, no ano seguinte, uma invasão terrestre. Apesar do cessar-fogo acertado em novembro de 2024, os bombardeios israelenses jamais cessaram por completo. Em março, dias depois da guerra entre EUA, Israel e Irã, o Hezbollah efetuou disparos em solidariedade a Teerã, dando início a uma nova frente no conflito regional.

As últimas guerras devastaram o Líbano, um país de 5,4 milhões de pessoas no leste do Mar Mediterrâneo. Mais de 7 mil libaneses morreram, mais de um milhão saíram de casa por causa da violência e os danos chegam a bilhões de dólares, segundo números oficiais. Israel agora ocupa uma faixa no sul do líbano, avançando mais de 10 km dentro do país, e não dá sinais de que pretenda sair tão cedo.

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No domingo, quando as perspectivas sobre um acordo para encerrar a guerra no Golfo começaram a surgir, os libaneses sentiram que teriam pouca voz nas conversas que definirão seu futuro.

Mais uma vez, o país se via à mercê de forças externas — como quando na intervenção síria na Guerra Civil, em 1976, e durante as invasões israelenses em 1978, 1982, sob alegação de combater milícias palestinas, e para enfrentar o Hezbollah, o grupo apoiado pelo Irã que arrastou o Líbano para três conflitos nas décadas seguintes.

No domingo, poucos acreditavam que um acordo traria mais do que uma pausa temporária nos enfrentamentos entre Israel e Hezbollah. Em questão de horas, os dois lados apagaram qualquer tipo de esperança.

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O premier israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu na terça-feira “aumentar os golpes” contra o grupo, e nos dois dias seguintes lançou mais de 150 ataques aéreos no sul e leste do Líbano, os maiores em semanas. As tropas israelenses também invadiram novas áreas por terra.

No domingo, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, alertou o governo libanês para não confrontar o grupo, há anos a mais poderosa força política e militar do país, e que tem grande apoio entre os xiitas libaneses. Ele ainda criticou as raras conversas entre representantes de Beirute e de Israel em Washington.

— O povo tem o direito de tomar as ruas e derrubar o governo para confrontar o projeto israelo-americano — disse Qassem.

Uma mulher em meio aos escombros de um prédio destruído na área de Haret Hreik, nos subúrbios do sul de Beirute

IBRAHIM AMRO/AFP

A retórica dos dois lados é um lembrete sombrio da fragilidade e dos fracassos das tréguas no Líbano. Em novembro de 2024, o cessar-fogo foi desrespeitado por Israel e Hezbollah, que não interromperam seus ataques. O mesmo acontece desde abril, quando uma nova pausa foi acertada, mas as bombas seguiram caindo e os combates por terra se intensificaram, deixando mortos entre as linhas da milícia e as israelenses. Agora, a única possibilidade real para uma trégua genuína é se os EUA pressionarem Israel a suspenderem os bombardeios.

— [Donald] Trump pode querer declarar a paz em todas as frentes, como ele costuma fazer — disse Paul Salem, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, alertando que nem isso garantirá a calma na região. — O cenário mais provável é que isso (trégua) permaneça por mais algumas semanas, então Netanyahu dirá que tem que continuar [a guerra]. Até lá, Trump já estará interessado em outra coisa.