Lewandowski ignora desejo de Lula e deixa governo após colecionar desgaste com Casa Civil e Secom
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, deixará o cargo após acumular desgaste com a Casa Civil e com a Secretaria de Comunicação Social (Secom). Ao resolver abandonar a pasta já nesta sexta-feira, Lewandowski, de quebra, ainda ignorou um desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que permanecesse no posto até o fim deste mês. A ideia era que a escolha do seu substituto pudesse ser feita com tranquilidade.
Os principais problemas de Lewandowski durante o perÃodo na Esplanada se deram com o chefe da Casa Civil, Rui Costa. Nesta quinta-feira, chamou a atenção de colegas o desconforto quando ambos se encontraram no Palácio do Planalto antes da cerimônia organizada para marcar os três anos da tentativa de golpe de 8 de janeiro.
Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski assumiu a pasta da Justiça para atender uma convocação de Lula e ficou no cargo por quase dois anos. Apesar da relação histórica que mantinha com o presidente, passou a ser obrigado, em muitos momentos, a se submeter à intermediação do chefe da Casa Civil, a quem cabe gerenciar as ações do governo, para ter contato com o mandatário.
Em outubro de 2024, Lewandowski finalizou a elaboração da PEC da Segurança Pública, principal iniciativa do ministério em sua gestão. A proposta, porém, ficou parada por meses na Casa Civil, que questionou pontos da proposta como, por exemplo, o empoderamento da PolÃcia Federal e a necessidade de reforço orçamentário para aumentar o efetivo policial. O texto só foi mandado para o Congresso em abril e até hoje não foi aprovado.
Lewandowski se mostrou mais contrariado, segundo integrantes do governo, quando surgiu a ideia de criar uma secretária extraordinária vinculada à Casa Civil para concentrar as ações do governo na área da segurança pública. A proposta, que foi apresentada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, seria uma resposta do governo à operação policial que deixou 121 mortos no Rio no fim de outubro. A ideia não foi aprovada por Lula, mas o ministro da Justiça entendeu que havia uma pressão interna para enfraquecer o seu ministério.
