Levantamento mostra tolerância maior dos clubes do Campeonato Brasileiro com treinadores estrangeiros
O Campeonato Brasileiro de 2026 tem apenas seis rodadas, mas a dança das cadeiras dos treinadores está agitada com seis demitidos. A saída mais recente foi a de Tite, que deixou o Cruzeiro após o empate por 3 a 3 com o Vasco, no último domingo, no Mineirão. Por enquanto, brasileiros e estrangeiros sofreram igualmente nesta edição — três de cada —, mas números apontam que, desde 2019, há uma tolerância maior dos clubes com os gringos.
Levantamento do Bolavip Brasil mostra que, entre os 100 trabalhos mais longevos dos times que passaram pela Série A neste período, os técnicos estrangeiros tiveram um aproveitamento pior nos últimos dez jogos até serem demitidos: média de 34.1%, contra 42.5% dos brasileiros — a porcentagem é feita por um cálculo de pontos: três por vitória e um por empate, independentemente da competição. Ou seja, os times foram mais pacientes com os gringos e suportaram um desempenho inferior até decidirem pela demissão. Enquanto isso, treinadores do Brasil deixaram seus cargos com resultados melhores neste mesmo recorte. A tolerância foi menor.
Treinadores demitidos no Brasileirão 2026
Ainda assim, os brasileiros conseguiram desenvolver trabalhos por tempos maiores de 2019 até aqui. Dos 30 técnicos mais longevos — todos passaram de 360 dias no cargo —, apenas quatro são estrangeiros. No entanto, o levantamento mostra que, na fase ruim, os clubes seguiram mais pacientes com os treinadores de fora do país. Dos 26 nascidos no Brasil, seis sofreram demissões com mais de 50% de aproveitamento nos últimos dez jogos: Rogério Ceni, no São Paulo (66,67%); Mano Menezes, no Internacional (63,34%); Ney Franco, no Goiás (56,67%); Wagner Lopes, no Atlético-GO (56,67%), Filipe Luís, no Flamengo (53,34%); e Ricardo Catalá, no Mirassol (53.34%).
Por outro lado, os quatro gringos demitidos ficaram abaixo de 50% de aproveitamento no mesmo recorte. Três deles, inclusive, sequer chegaram aos 30%: Juan Pablo Vojvoda, no Fortaleza (16,67%); Pedro Caixinha, no Bragantino (23,34%); Gustavo Morínigo, no Coritiba (23,34%); e Luis Zubeldía, no São Paulo (46,67%).
Neste ano, pelo menos até o momento, a "disputa" ainda está equilibrada. Fernando Diniz, do Vasco, Filipe Luís, do Flamengo, e Tite, do Cruzeiro, foram os brasileiros demitidos entre os clubes da primeira divisão. Os estrangeiros que deixaram seus cargos foram Hernán Crespo, do São Paulo, Jorge Sampaoli, do Atlético-MG, e Juan Carlos Osório, do Remo.
Apenas Fernando Diniz e Filipe Luís entraram para o cálculo do levantamento, que considera os 100 trabalhos mais longevos. O primeiro deixou o comando do Vasco com 33,34% de aproveitamento na reta final.
