Levantamento mostra que UFRJ precisa de R$ 1,27 bi para recuperar 90% de seus prédios
Atingido por um incêndio de grandes proporções em outubro de 2016, o oitavo andar do edifício Jorge Machado Moreira (JMM), no Fundão, que até então abrigava as atividades administrativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi recuperado parcialmente pela atual gestão. Outro trecho do mesmo pavimento, no entanto, continua fechado, à espera de obras, quase dez anos depois. No prédio, onde telhado e fachada são outros pontos que pedem restauração, ainda ficam a Escola de Belas Artes (EBA), que hoje atende 2.800 alunos, e o Museu D. João VI, com acervo histórico que remonta ao início do século XIX. O estado de conservação do JMM foi classificado como “muito ruim” em levantamento feito pelo Escritório Técnico da UFRJ — e é uma das doze unidades da instituição com esta avaliação.
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Dados atualizados a pedido da Reitoria apontam que seria necessário levantar R$ 1,27 bilhão para a completa recuperação de 90,3% das edificações da UFRJ, o equivalente a 142 prédios. Para chegar a 100%, a análise deve se estender, ainda neste semestre, a blocos como o do Centro de Ciências da Saúde (CCS), um dos maiores da universidade. O montante apontado pelo levantamento corresponde ao triplo do orçamento discricionário da universidade, de R$ 406 milhões anuais, recursos que são direcionados para despesas como manutenção, segurança patrimonial, água e esgoto.
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Batizado de Programa de Avaliação de Reabilitação dos Bens Imóveis (REAB), o estudo classifica o estado das unidades, conforme seu nível de conservação, como “novo”, “muito bom”, “bom”, “regular”, “ruim” ou “muito ruim”. Também são apontadas aquelas que necessitam de “reparos importantes”.
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‘Muito ruins’
A Reitoria da UFRJ trocou o JMM por uma construção moderna, também na Cidade Universitária, e parte do espaço que ocupava, recuperada após o incêndio, passou a abrigar os ateliês de pintura e desenho da EBA que ficavam no térreo do prédio — também interditado por necessidade de obras. A lista das unidades da universidade consideradas “muito ruins” inclui o Instituto de Matemática, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), também na Cidade Universitária, o Palácio Universitário, na Praia Vermelha, e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo de São Francisco de Paula, no Centro do Rio.
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Este último teve a fachada recuperada recentemente com ajuda de recursos oriundos da Prefeitura do Rio. Após visita ao Ministério da Educação, nesta semana, o reitor Roberto Medronho voltou de Brasília com a promessa do ministro Leonardo Barchini de enviar R$ 6,5 milhões para a modernização da rede elétrica, antiga e cheia de gambiarras. Esse não é o único problema do local:
—A parte hidráulica também tem problemas e é necessária a recuperação da estrutura física, o que resultaria em um total R$ 32 milhões — estima Medronho.
Balde apando goteira dentro do JMM: problemas no telhado
Custódio Coimbra
Na busca de verba para resolver os problemas mais imediatos, a universidade obteve outros R$ 6,5 milhões por meio do edital Procel Energia Zero, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O montante será investido na recuperação do prédio da Faculdade de Letras, que ganhará sustentabilidade energética, condição para concorrer à chamada pública. A unidade, também no Fundão, apresenta um bloco em situação regular, outro ruim e cinco necessitando de reparos urgentes, de acordo com a avaliação do REAB.
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Classificado como “regular”, o Centro de Tecnologia apresenta problemas aparentes, como fachada com queda de reboco, deixando à mostra ferragens. Há mofo à vista no teto do pilotis, além de estruturas enferrujadas nas pilastras de sustentação.
Veja a situação de cada unidade
Editoria de Arte
Quem convive diariamente com os problemas do campus compartilha a opinião de que há muito o que melhorar. Marco Antônio Carvalho Reis, de 21 anos, aluno do 1º ano do curso de Engenharia Naval, diz que, apesar de apresentar alguns problemas, o CT não está entre as unidades em pior estado de conservação.
— Os banheiros são ruins e em alguns blocos sequer há bebedouros. Há alguns problemas de estrutura também, mas a Faculdade de Letras e o Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) estão bem piores. Se, mesmo sucateada, a universidade consegue ser bem avaliada, imagina se tivesse mais investimentos? — indaga o estudante.
Clara Barbosa, de 18 anos, aluna do 3º período do curso de Artes Visuais e Escultura da EBA, queixa-se de infiltrações e falta de ar-condicionado nas salas de aula.
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— A Reitoria diz que isso acontece porque não pode trocar a fiação, que é antiga. O professor tem que dar aulas num ambiente fechado e ainda há o problema do mofo. Isso desmotiva — reclama a aluna.
Ao mesmo tempo que busca recursos e adota medidas para solucionar as necessidades mais urgentes, como um contrato para manutenção preventiva e corretiva de todas as unidades do Fundão — que contemplará melhorias na fachada do JMM, além da verba de emenda parlamentar que garantirá o conserto do telhado do IFCS —, Medronho busca soluções definitivas. Ele propõe, por exemplo, que no próximo leilão de partilha do pré-sal, previsto para ocorrer até o fim do ano, uma parcela dos recursos seja destinada à universidade, que tanto contribuiu com as pesquisas para a prospecção em águas profundas e ultraprofundas no Brasil.
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Custodio Coimbra
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— A ideia da UFRJ não é só ficar numa posição passiva, cobrando os recursos do governo federal. Estamos apresentando projetos concretos para captação desses recursos — argumenta o reitor.
Quem convive diariamente com os problemas do campus compartilha a opinião de que há muito o que melhorar. Marco Antônio Carvalho Reis, de 21 anos, aluno do 1º ano do curso de engenharia naval, diz que apesar de apresentar alguns problemas, o CT não está entre as unidades em pior estado. de conservação.
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Estrutura antiga
O levantamento do Escritório Técnico mostra ainda que a idade do conjunto edificado é um problema. A maioria dos prédios tem mais de 40 anos — os mais antigos foram erguidos entre as décadas de 1850 e 1960. Entre os que entraram na categoria “bom”, por exemplo, estão construções mais recentes, como as do Polo de Macaé.
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— Nós somos a primeira universidade do Brasil. Isso significa que temos edificações muito antigas, muitas delas tombadas. São prédios que, por serem históricos, demandam investimentos altos — conclui Medronho.
Nota do MEC
Em nota enviada ao GLOBO na noite de sexta-feira o Ministério da Educação informa que desde 2023 "vem atuando para recompor o orçamento das universidades federais, após anos de restrições orçamentárias e redução de investimentos entre 2016 e 2022, bem como limitações da Lei Orçamentária Anual" e que "na atual gestão, houve suplementações orçamentárias em todos os anos para fortalecer o funcionamento, a manutenção e a recuperação da infraestrutura das instituições federais de ensino superior".
O texto diz ainda que "os últimos três anos, no âmbito do PAC, foram investidos R$ 59,1 milhões de reais na UFRJ".
Por fim, o ministério diz que "trabalha em estudos para aperfeiçoar o modelo de financiamento das instituições federais, buscando maior previsibilidade e sustentabilidade orçamentária, respeitando as regras fiscais vigentes e em diálogo com a comunidade acadêmica e o Congresso Nacional".
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