Leucemia Promielocítica Aguda (LPA): o que é a doença que levou sertanejo à internação - QTU Questões do Universo

Leucemia Promielocítica Aguda (LPA): o que é a doença que levou sertanejo à internação

Fonte: Bandeira da fonte

O cantor sertanejo Alcemir da Luz Carlos Filho, conhecido como Eduardo, da dupla com Derick, foi diagnosticado com Leucemia Promielocítica Aguda (LPA), um subtipo da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e segue internado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, onde recebe tratamento e transfusões de sangue e plaquetas.
Nessa quinta-feira (20), a equipe da dupla informou que o cantor saiu da UTI, mas ainda precisa de transfusões de plaquetas.
Segundo a equipe, ele está consciente e o tratamento é delicado devido à baixa imunidade.
"Estamos mantendo nossa campanha de doação de sangue e plaqueta pois ainda se faz necessário.
Seguimos em fé e oração que vai dar tudo certo!", informou.
Alcemir foi internado depois de apresentar fraqueza e queda acentuada no número de plaquetas.
Antes da internação, ele também apresentou hematomas na pele e sangramento na gengiva, segundo informou a assessoria do artista.
Derick e Eduardo
Ítalo Martins/Divulgação
O que é a LPA (LPA)?
Segundo a Abrale -- Associação Brasileira de Câncer do Sangue, a LPA é uma forma específica de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e está associada a uma alteração genética envolvendo os cromossomos 15 e 17, que dá origem ao gene anormal PML-RARA.
Por apresentar características próprias, a doença exige uma abordagem terapêutica diferente de outros tipos de LMA.
Por que a doença provoca sangramentos?
Um dos principais riscos relacionados à LPA são as complicações hemorrágicas.
De acordo com a Abrale, a doença historicamente esteve associada à mortalidade precoce causada por sangramentos.
Por isso, quando existe suspeita de LPA, o tratamento precisa ser iniciado rapidamente, inclusive antes da confirmação completa de alguns exames em determinadas situações.

Isso ajuda a contextualizar sintomas apresentados por Eduardo, como hematomas e sangramentos na gengiva.
Na LPA, a alteração da medula óssea compromete a produção normal das células do sangue, incluindo as plaquetas, responsáveis por participar da coagulação.
A baixa quantidade de plaquetas pode aumentar o risco de sangramentos.
A necessidade de transfusões de sangue e plaquetas, portanto, faz parte do suporte que pode ser necessário durante o tratamento de pacientes com LPA, especialmente diante de alterações importantes nas contagens sanguíneas.
Eduardo e Derick
Reprodução/Instagram
Tratamento é diferente da quimioterapia convencional
A LPA tem uma característica particular: seu tratamento pode ser feito principalmente com medicamentos que atuam promovendo a maturação das células leucêmicas.
Entre eles estão o ácido trans-retinoico (ATRA) e o trióxido de arsênio (ATO).
A Abrale explica que o ATRA é um dos medicamentos mais importantes no tratamento inicial da doença e pode ser associado ao ATO.
Em vez de simplesmente destruir as células leucêmicas, essas substâncias fazem com que os promielócitos anormais amadureçam e adquiram características de células normais.
É justamente esse processo que dá origem a uma das principais complicações específicas do tratamento: a chamada Síndrome de Diferenciação.

O que é a Síndrome de Diferenciação?
De acordo com a Abrale, a Síndrome de Diferenciação ocorre quando a transformação das células leucêmicas desencadeada pelo ATRA e pelo trióxido de arsênio provoca uma intensa resposta inflamatória no organismo.
O paciente pode apresentar febre, ganho de peso, retenção de líquidos, falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões.
Segundo o especialista, em casos mais graves, a complicação pode exigir internação em UTI.
A síndrome costuma aparecer nos primeiros dias do tratamento.
Ela ocorre, em geral, entre o 10º e o 20º dia após o início da terapia.
O reconhecimento rápido é importante porque a condição pode ser controlada com medidas como redução ou interrupção temporária dos medicamentos e uso de corticosteroides, conforme a avaliação médica.
É importante ressaltar que a Síndrome de Diferenciação é uma complicação relacionada ao tratamento e não significa que a leucemia tenha piorado ou que o paciente esteja com uma infecção.
Trata-se de uma reação inflamatória desencadeada pelo processo de diferenciação das células.
LPA é uma leucemia com altas taxas de cura
Apesar da gravidade inicial e do risco de sangramento, a evolução do tratamento mudou significativamente o cenário da LPA.
A Abrale classifica a doença atualmente como um dos subtipos de leucemia mieloide aguda com maiores possibilidades de cura.

Segundo dados apresentados pela entidade e pelo hematologista Fábio Pires, as taxas de cura chegam a 97% a 98% nos pacientes considerados de baixo ou intermediário risco tratados com ATRA e trióxido de arsênio.
Nos casos de alto risco, a estimativa apresentada pelo especialista fica entre 93% e 94%.
No caso de Eduardo, a equipe médica ainda não divulgou publicamente detalhes suficientes para determinar a classificação de risco da doença, a resposta ao tratamento ou o prognóstico individual.
Enquanto segue internado, familiares, amigos e integrantes da equipe da dupla fazem uma campanha para conseguir doações de sangue e plaquetas em nome de Alcemir da Luz Carlos Filho.
Os shows de Derick & Eduardo previstos para agosto foram cancelados.
Também está previsto um show beneficente para 4 de setembro, em Pires do Rio (GO), com o objetivo de ajudar nos custos do tratamento do cantor.