Lembra? Há 15 anos, Caetano Veloso estacionava o carro no Leblon e virava meme na internet
Há 15 anos, Caetano Veloso estava no Leblon. Uma cena simples, quase trivial: um artista estaciona o carro. Quinze anos depois, o episódio segue lembrado como um dos memes mais duradouros do jornalismo brasileiro. Publicada em 10 de março de 2011, a nota “Caetano Veloso passeia pelo Leblon e estaciona o carro” transformou um momento cotidiano do cantor e compositor em fenômeno recorrente nas redes sociais.
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A matéria original trazia fotos do artista, então com 68 anos, estacionando o veículo no Leblon, bairro da Zona Sul do Rio. O conteúdo, aparentemente banal, viralizou pelo título direto e passou a ser relembrado todos os anos na mesma data, com uma enxurrada de piadas e montagens na internet.
O escritor Xico Sá definiu o episódio em crônica publicada no Diário do Nordeste como parte do “folclore do jornalismo brasileiro”. Segundo ele, a nota acabou sendo incorporada à cultura pop do país.
De notícia comum a referência cultural
Com o passar dos anos, a situação ganhou novas camadas de humor — inclusive do próprio protagonista. Em 2018, o cantor entrou na brincadeira ao lembrar a data nas redes sociais. “IMPORTANTE. Hoje faz 7 anos que estacionei no Leblon”, escreveu no então Twitter, atual X. Em 2021, voltou a comentar o episódio ao lembrar os dez anos da publicação.
A história também inspirou o grupo de humor Porta dos Fundos, que produziu um vídeo satirizando o episódio com participação do próprio Caetano. No sketch, os humoristas tratam o estacionamento do carro como se fosse um acontecimento histórico digno de investigação jornalística.
Desde então, “Caetano estaciona no Leblon” virou uma espécie de metáfora para reportagens consideradas triviais no universo das celebridades. Internautas costumam recorrer à expressão para ironizar manchetes semelhantes, como notas sobre famosos passeando em shoppings ou enfrentando situações corriqueiras.
A jornalista por trás da nota
Anos depois, a autora da matéria também resolveu contar a história. Em 2021, a jornalista Elisangela Roxo publicou na revista Piauí um relato em primeira pessoa sobre a repercussão inesperada da nota.
Ela explicou que trabalhava em um plantão pós-Carnaval no Portal Terra e precisava cumprir uma meta de dez publicações diárias. As fotos enviadas pelo fotógrafo Fausto Candelária, da agência AgNews, acabaram virando a breve notícia que entraria para a história da internet brasileira.
No texto, Elisangela afirma que imaginava que apenas poucos leitores veriam a nota naquela noite. O que parecia apenas mais uma publicação de rotina, porém, se transformaria anos depois em um dos exemplos mais lembrados — e comentados — sobre o que pode ou não virar notícia. Quinze anos depois, a cena continua estacionada no imaginário da internet.
